ANÁLISE-Clima reduz produção de hidrelétricas e gera pressão sobre tarifas

quinta-feira, 9 de março de 2017 14:47 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Três anos seguidos de chuvas abaixo da média na área das hidrelétricas do Brasil têm colocado em xeque a posição de absoluto predomínio dessas usinas na produção de eletricidade do país e pressionado as tarifas, que deverão subir neste ano para custear o acionamento de termelétricas, mais caras.

Especialistas ouvidos pela Reuters avaliam que mudanças no regime hidrológico, principalmente do Nordeste, e um elevado nível de esvaziamento dos reservatórios nos últimos anos têm dificultado a recuperação dos lagos e reduzido a geração hídrica de forma quase estrutural, o que pode limitar a capacidade do sistema elétrico de suportar uma eventual retomada da economia em 2018.

Dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) apontam que as hidrelétricas devem gerar em 2017 apenas 83,3 por cento de suas garantias físicas, cerca de 4 pontos percentuais abaixo do ano passado --o ideal é que as usinas sejam capazes de gerar perto de 100 por cento mesmo em anos críticos.

A geração hídrica, que representa cerca de 60 por cento da capacidade elétrica do país, tem apresentado déficit desde 2014, com a produção tendo alcançado 87 por cento das garantias em 2016.

"Até termos um período de chuvas dentro da média, pensar em déficit (hídrico) recorrente acho que vai ser a realidade. A cada ano que passa a gente está sempre dependendo do que vai ser a chuva", disse o sócio da comercializadora de energia Compass, Marcelo Parodi.

Diante desse cenário, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já abriu uma audiência pública para avaliar a inclusão de ao menos 2,5 bilhões de reais nas tarifas em 2017 para custear o acionamento de térmicas.

O diretor da consultoria TR Soluções, Paulo Steele, estimou à Reuters que o impacto médio nas tarifas deverá ser de 3,8 por cento.

Mas o peso para os consumidores poderá ser ainda maior se as precipitações continuarem fracas, uma vez que seria necessário ligar termelétricas ainda mais caras, movidas a óleo, o que acionaria a bandeira vermelha nas contas de luz, gerando cobrança adicional de 3 reais para cada 100 kilowatts-hora consumidos.   Continuação...