Trabalhador com mais qualificação e salário será o mais afetado pela reforma da Previdência

sexta-feira, 10 de março de 2017 18:58 BRT
 

Por Luiz Guilherme Gerbelli

SÃO PAULO (Reuters) - Os trabalhadores qualificados e com salários mais elevados serão os mais afetados caso a reforma da Previdência apresentada pelo governo do presidente Michel Temer seja aprovada sem mudanças pelo Congresso Nacional, que prevê idade mínima para aposentadoria aos 65 anos tanto para homens quanto para mulheres com pelo menos 25 anos de contribuição.

Isso porque, normalmente, esse grupo costuma se aposentar por tempo de contribuição aos 55 anos de idade, em média, de acordo com levantamento dos pesquisadores Fernando de Holanda Barbosa Filho e Bruno Ottoni, do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

"Quem vai pagar o maior peso do ajuste na Previdência é o trabalhador que se aposenta antes. É aquele trabalhador formal que recebe bem mais do que um salário mínimo", afirmou Barbosa Filho.

Pela atual regra da Previdência, homens que contribuíram por 35 anos e mulheres por 30 podem se aposentar, independentemente da idade. A outra possibilidade é com 65 anos de idade mínima para homens e 60 para mulheres, com 15 anos de contribuição.

Ou seja, na regra que o governo quer implementar, neste último grupo só as mulheres teriam de trabalhar por mais 5 anos, metade do que os 10 anos a mais, em média, do que o trabalhador que se aposenta por tempo de contribuição terá de arcar.

Normalmente, os brasileiros que se aposentam por tempo de contribuição têm qualificação e remuneração maiores, passando menos tempo desempregados e, assim, contribuindo mais para a Previdência.

Segundo os pesquisadores, o salário médio recebido pelos trabalhadores que se aposentam por tempo de contribuição ao longo da vida produtiva é de 2.750 reais para homens e 2.237 reais para mulheres.

No caso dos que se aposentam por idade, a remuneração média fica próxima de um salário mínimo (937 reais) porque são trabalhadores que costumam transitar entre a informalidade e a formalidade, portanto nem sempre fazendo a contribuição previdenciária.   Continuação...

 
Congresso Nacional em Brasília
29/8/2016  REUTERS/Bruno Kelly