ESPECIAL-Furtos de combustíveis da Petrobras aumentam e geram perdas milionárias

sexta-feira, 10 de março de 2017 17:57 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As ocorrências identificadas pela Petrobras de furtos e tentativas de furtos de petróleo e combustíveis em suas instalações quintuplicaram em 2016 em relação ao ano anterior, gerando perdas de milhões de reais para a estatal, segundo a polícia.

O aumento acentuado dos casos dessa atividade criminosa, considerada de baixo risco e de alta rentabilidade, tem deixado a Petrobras em alerta.

Diante das dificuldades de monitorar uma malha de milhares de quilômetros, a estatal criou recentemente um telefone específico (168) para denúncias de movimentações suspeitas na faixa de dutos da companhia, entre outras ações para coibir o crime.

A polícia ainda investiga a participação de funcionários e ex-funcionários da Petrobras nos crimes. Eles são suspeitos de terem envolvimento com milicianos que atuam especialmente no Rio de Janeiro. Esses criminosos têm facilidade para vender o combustível clandestinamente.

São várias modalidades de furtos e assaltos, de caminhões-tanque em rodovias ou mesmo diretamente dos dutos, por meio de "bicas" clandestinas para o desvio do produto.

"Nem a Petrobras tem noção exata do que acontece e o quanto é furtado. É um grande negócio e movimenta milhões...", disse o delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Giniton Lages, que esteve à frente da investigação que descobriu as bicas na Baixa Fluminense, no ano passado.

A Petrobras não revela os volumes de perdas com os furtos e roubos, mas admite que o número de casos aumentou no ano passado.

"Em 2016 houve um aumento vertiginoso de movimentações de furtos em dutos. Antes, eram poucas e esporádicas. Agora houve um crescimento intenso. Sem dúvida há uma preocupação", disse à Reuters o gerente de manutenção de faixa (de dutos) da Transpetro, subsidiária de transportes da Petrobras, Rodrigo Spagnolo.   Continuação...

 
Logo da estatal Petrobras na sede da empresa em Vitória, no Espírito Santo, Brasil
10/02/2017
REUTERS/Paulo Whitaker