March 14, 2017 / 8:50 PM / 4 months ago

Terminal da VLI expande operação e eleva capacidade para grãos e açúcar em Santos

6 Min, DE LEITURA

Trator manuseia soja estocada em terminal da Tiplam em Santos, no Brasil 13/03/2017Paulo Whitaker

SANTOS (Reuters) - Técnicos ainda fazem ajustes na estrutura que despeja soja no navio e operários trabalham em ritmo acelerado para concluir as obras de mais um espaço para atracação no Tiplam, em Santos, numa demonstração de que o mais novo terminal exportador agrícola do país entrou no mercado com velocidade máxima, em meio a uma safra recorde.

O Tiplam, operado pela empresa de logística VLI, começou a exportar produtos do agronegócio ainda em janeiro, com um novo berço de atracação, e já embarcou 330 mil toneladas de grãos e 60 mil toneladas de açúcar nestas primeiras semanas de operação.

Agora, com as obras de expansão 97 por cento concluídas, o objetivo é acionar o segundo berço de exportação já entre o fim de março e o início de abril, revelou à Reuters um executivo da empresa.

"O (primeiro novo) berço está cheio e a tendência é o segundo berço encher também", disse o gerente-geral do Tiplam, Alessandro Gama, durante uma visita da Reuters ao terminal.

A VLI, proprietária do Tiplam, tem entre os acionistas a mineradora Vale (fatia de 37,6 por cento), o fundo canadense Brookfield (26,5 por cento), a japonesa Mitsui (20 por cento) e Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (15,9 por cento).

"A gente acabou de começar e o sistema está sendo exigido praticamente no máximo", disse Gama, comemorando a forte demanda por embarques no terminal, em meio a uma colheita histórica de soja e às perspectivas de exportação de grandes volumes de açúcar nos próximos meses.

O Tiplam está localizado quase 20 quilômetros após a entrada do canal de acesso a Santos, cercado por mata nativa e bem distante dos tradicionais terminais que operam na área de porto público.

Após anos operando apenas um berço com cargas como enxofre, rocha fosfática, fertilizantes e amônia, o terminal recebeu 2,2 bilhões de reais em investimentos para tornar-se rapidamente um dos principais terminais de exportação de grãos e açúcar do Brasil.

O primeiro berço agrícola, recém-inaugurado, o segundo do terminal, tem capacidade de embarques de 5 milhões de toneladas de grãos por ano. O segundo berço agrícola, que entra em ação nas próximas semanas, terá capacidade de 4,5 milhões de toneladas anuais de açúcar.

A adição representa cerca de 20 por cento do volume exportado pelo complexo de Santos em 2016, de 45,2 milhões de toneladas de soja em grãos, farelo de soja, milho e açúcar. Com isso, Santos reforça sua liderança como principal embarcador de grãos e açúcar no país.

Ainda há obras para mais um berço, para movimentação de fertilizantes, que devem ficar prontas também no primeiro semestre. Dessa forma, o novo Tiplam teria espaço para receber simultaneamente dois navios para produtos agrícolas e dois para matérias-primas de adubos.

Todas as cargas destinadas à exportação chegam ao Tiplam de trem. As principais origens são terminais de transbordo construídos pela VLI em Uberaba (MG), para grãos, e Guará (SP), para açúcar.

Demanda

O Brasil deverá exportar um recorde de 59 milhões de toneladas de soja na safra 2016/17, que está sendo colhida, além de um recorde de farelo de soja (15,9 milhões de toneladas) e um grande volume de milho (24 milhões de toneladas), segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Para o açúcar, os embarques do centro-sul deverão subir 7 por cento para um recorde de 27,8 milhões de toneladas na nova temporada, que começa a ser processada em abril, segundo a consultoria Datagro.

Neste cenário, a abertura de um grande terminal exportador na região Sudeste soma-se à capacidade adicionada nos últimos anos por terminais de grãos ao norte do país, como os da região de Barcarena, no Pará, abastecido por barcaças e rodovia, e o de São Luís, no Maranhão, onde os grãos chegam via ferrovia Norte-Sul.

Os terminais de Barcarena, no entanto, deverão receber menos grãos do que o previsto em 2017, devido a problemas com atoleiros em um trecho da BR-163, que limitaram a chegada de caminhões aos portos. Tal situação pode estar favorecendo a movimentação do novo terminal de Santos.

"É muito difícil dizer se isso (demanda aquecida no Tiplam) é porque o terminal está entrando, porque você criou um canal de escoamento, ou se é reflexo de algum problema em outro corredor", ponderou Gama. "Mas este ano está começando melhor do que a gente imaginava... Pegamos logo uma safra de grãos que tende a ser recorde."

Ao contrário de oferecer concorrência para os demais terminais e tradings já estabelecidos em Santos e Guarujá, o Tiplam tenta se posicionar como uma alternativa de escoamento.

"A gente pensou inicialmente um porto para os traders que não tinham posição portuária aqui em Santos... Mas, por incrível que pareça, todos os que têm procuraram a gente. A gente está embarcando para todo mundo. Estrategicamente essas empresas estão aproveitando a posição que têm (seus terminais), mas estão tendo oportunidade com o Tiplam de ampliar volume em Santos", disse o executivo.

Grandes multinacionais como Bunge, Cargill, Louis Dreyfus e ADM têm terminais exportadores de grãos no complexo de Santos, além dos terminais ligados a grandes produtores de açúcar como os da Copersucar e da Rumo, que tem a Cosan entre seus sócios.

Segundo Gama, já é possível perceber que tradings que encontram alguma dificuldade de recebimento ou embarque em seus terminais em Santos, acionam o Tiplam para garantir seus negócios.

"A gente está vendo algumas 'viradas' de navio ou de trem", disse o executivo, referindo-se ao redirecionamento de cargas.

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