Fabricantes de turbinas eólicas dão descontos para fechar contratos em meio à crise

quarta-feira, 15 de março de 2017 14:26 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Fabricantes de equipamentos para energia eólica têm concedido generosos descontos para conseguir fechar contratos de fornecimento no Brasil após dois anos de queda no consumo de energia e baixo volume de contratação de novas usinas da fonte, afirmaram à Reuters executivos de grandes companhias.

Em meio à maior recessão em décadas, o país ainda não tem perspectivas de contratar mais parques eólicos, o que gera pressão sobre diversos fabricantes, incluindo grandes players globais, que nos últimos anos investiram em fábricas no Brasil para atender um mercado que parecia fortemente promissor.

O Brasil contratou 13 gigawatts em usinas eólicas entre 2009 e 2014, mas em 2015 apenas 1 gigawatt foi contratado e em 2016 não houve nenhuma licitação voltada ao setor. Assim, como a maior parte dos projetos fecha pré-acordos com fabricantes, existem atualmente poucos negócios para vendas de turbinas a serem disputados pela indústria.

Para conseguir baixar preços, as fabricantes de turbinas eólicas têm renegociado contratos com subfornecedores, como produtores de componentes que fazem parte das máquinas.

"Minha cadeia de fornecedores está desesperada, e eles estão praticando descontos muito fortes. Essa agressividade da indústria, aliada à queda do dólar e à evolução da tecnologia, levou a reduções de 15 a 20 por cento no capex (investimento) comparado a alguns anos atrás", disse à Reuters o diretor de vendas de renováveis para América Latina da norte-americana GE, Sérgio de Souza.

Ele afirmou que o cenário possibilita a construção de eólicas a um custo de menos de 5 milhões de reais por megawatt, próximo do praticado no país em 2009.

Um movimento semelhante acontece na catarinense WEG, que entrou no setor eólico em 2010 e também reduziu significativamente os preços em seu último negócio, uma licitação da estatal Furnas, da Eletrobras, na qual a empresa foi a única qualificada, embora o processo ainda não tenha sido encerrado.

"Com o mercado apertado, a WEG optou por participar com margens um pouco mais apertadas, mas ainda satisfatórias... contamos com ganhos de produtividade e renegociações com fornecedores. Como estamos no topo da cadeia e fomos achatados, vamos ter que participar desse esforço junto com nossa cadeia de fornecedores", disse o diretor da empresa para o segmento eólico, João Paulo Gualberto.   Continuação...