BC da China eleva juros de curto prazo para estabilizar iuan e enfrentar a dívida

quinta-feira, 16 de março de 2017 08:05 BRT
 

Por John Ruwitch e Winni Zhou

XANGAI (Reuters) - O banco central da China elevou a taxa de juros de curto prazo nesta quinta-feira no que economistas disseram ser uma tentativa de conter a saída de capital e manter o iuan estável depois que o Federal Reserve elevou os juros nos Estados Unidos.

A alta dos juros foi a terceira da China em três meses, e aconteceu um dia depois do encerramento da sessão anual do Parlamento, em que líderes alertaram que lidar com os riscos do rápido aumento da dívida será a prioridade este ano.

Na quarta-feira, o banco central dos Estados Unidos elevou a taxa de juros como era esperado, e sinalizou que mais altas estão a caminho uma vez que a economia dos EUA ganha força.

"O momento diz tudo. A China não é mais isolada em relação ao Fed e, de forma mais geral, das condições financeiras internacionais", disse a economista-chefe do Natixis Alicia Garcia Herrero.

O Banco do Povo da China mantém sua taxa de empréstimo referencial desde o corte de outubro de 2015, e afirmou que a medida desta quinta-feira especificamente não deve ser vista como um aperto de política monetária integral, como o do Fed.

Mas analistas e investidores acreditam que o banco central está cada vez mais usando as taxas do mercado monetário e outras ferramentas de política monetária conforme encontra dificuldades para conter os riscos financeiros de anos de estímulo alimentado pela dívida e para elevar os custos para especuladores que apostam contra o iuan.

Os bancos da China tendem a contar fortemente com empréstimos interbancários de curto prazo, que conectam bancos mais fortes com outros mais fracos. O BC da China tem permitido que as taxas de recompra subam desde o final de 2016 ao ajustar o volume de fundos que injeta.

"Os juros mais altos nos EUA e o aperto da política monetária norte-americana podem provocar mais saída de capital e ter algum impacto negativo sobre o sistema financeiro da China", disse o economista do Nomura Yang Zhao.   Continuação...