Preço da energia no mercado livre sobe 15% entre janeiro e março, diz Dcide

quinta-feira, 16 de março de 2017 15:29 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Os preços no mercado livre de energia elétrica tiveram alta de 15 por cento entre o início de janeiro e a primeira quinzena de março, apoiados por chuvas menos favoráveis que o previsto anteriormente e por elevações na carga nos primeiros meses do ano, disse à Reuters nesta quarta-feira o diretor da consultoria Dcide, Patrick Hansen.

Ele avalia que a alta foi puxada por seguidas elevações dos preços spot, utilizados no mercado de curto prazo, conhecidos como Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).

"Neste ano a gente começou com PLDs muito baixos, e em março já estamos chegando em PLDs maiores que o máximo visto no ano passado. Isso cria um cenário para 2017 de preços maiores e isso vai contaminando as expectativas... aumenta um pouco o preço", disse Hansen.

Os contratos de energia convencional para o período entre 2018 e 2021 dispararam 15 por cento para 163,70 reais por megawatt-hora, ante 142 reais na primeira semana de 2016, segundo um boletim de preços da Dcide.

Os preços apontados pelo boletim da Dcide subiram em todas as 11 semanas do ano até o momento.

No mesmo período, o PLD do Sudeste saiu de cerca de 142 reais para 241 reais por megawatt-hora, uma alta de cerca de 70 por cento.

"Diria que começamos o ano com cenário similar ao início de 2016, só que já a partir da segunda, terceira semana do ano, o mercado percebeu que a configuração era totalmente diferente, pela hidrologia... e também há indícios de que a carga está melhor do que se esperava", apontou Hansen.

Ele disse que o cenário hídrico desfavorável, que pressiona as hidrelétricas, principal fonte de energia do Brasil, levou a aumentos ainda maiores de preços para um horizonte mais curto.

Os contratos de energia convencional para o ano completo de 2018, por exemplo, saltaram para 180 reais, ante 145 reais no início do ano, de acordo com Hansen.   Continuação...