John Deere aposta na experiência para competir com rivais em agricultura de precisão

sexta-feira, 17 de março de 2017 09:59 BRT
 

Por Gustavo Bonato

CAMPINAS (Reuters) - A experiência centenária no desenvolvimento de máquinas agrícolas é a aposta da gigante norte-americana John Deere para garantir seu espaço no cada vez mais disputado mercado de agricultura de precisão e softwares para fazendas, para onde têm se voltado empresas do setor de agroquímicos e sementes, como Monsanto, Basf, Bayer e Syngenta.

A coleta e análise de dados de plantio e colheita, o uso de aplicativos, telemetria, piloto automático, satélites e informações armazenadas na nuvem têm ganhado crescente atenção dos grandes players do mercado de insumos agrícolas, tentando capturar investimentos de agricultores cada vez mais interessados em ganhos de eficiência.

"O crescimento em máquinas maiores e mais rápidas não é infinito. Mas existe muita oportunidade em ganhos de eficiência", disse o presidente da John Deere no Brasil, Paulo Herrmann, ao inaugurar na quinta-feira em Campinas (SP) um centro que vai concentrar pesquisas em novas tecnologias da empresa.

A unidade, com mais de cem pesquisadores, ajudará a adaptar tecnologias digitais desenvolvidas pela matriz, nos Estados Unidos, à realidade dos agricultores brasileiros. E, em todos os novos produtos, a ideia é encontrar um nicho diferente do oferecido pelas novas concorrentes.

"A razão pela qual acreditamos que vamos conseguir manter liderança neste setor é que empresas de sementes ou pesticidas estão trabalhando no apoio às decisões agronômicas. Mas nosso foco é na otimização das máquinas e da operação. Queremos manter a fatia que diz respeito à solução tecnológica para colocar sensores nas máquinas, extrair esses dados e jogá-los em um centro operacional e na nuvem", disse o presidente global da John Deere, Sam Allen.

"Essas outras empresas irão obter valor na tomada de decisões agronômicas... Não iremos atuar naquele espaço."

Apesar dessa disputa de mercado, que deverá se acirrar nos próximos anos, a ideia de criar plataformas fechadas, que não "conversam" com sistemas de outras empresas, está descartada.

"Não queremos ser exclusivos, embora a gente ache que ‘verde sobre verde’ (produtos John Deere combinados a outros produtos John Deere) seja mais eficiente", disse Allen, referindo-se à cor característica dos tratores e colheitadeiras vendidos pela companhia, fundada em 1837.   Continuação...