Dólar sobe ante real com preocupações fiscais após governo mudar reforma da Previdência

quarta-feira, 22 de março de 2017 12:01 BRT
 

Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava em leve alta ante o real nesta quarta-feira, com os investidores reagindo à concessão feita pelo governo na reforma da Previdência, alimentando preocupações de que possa prejudicar o ajuste fiscal do país.

Às 12:01, o dólar avançava 0,08 por cento, a 3,0924 reais na venda, depois de bater 3,1106 reais na máxima do dia. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,20 por cento.

"Ainda é um movimento tímido (do dólar)", afirmou o diretor da mesa de câmbio da corretora Multi-Money, Durval Correa, acrescentando que, caso mais à frente haja desvirtuamento ainda maior da reforma da Previdência, o cenário pode ser de altas mais intensas da moeda norte-americana.

Na véspera, o presidente Michel Temer anunciou que somente os servidores públicos federais serão atingidos pelas mudanças previstas na reforma da Previdência, deixando de fora servidores estaduais e de municípios, na tentativa de facilitar a tramitação da reforma no Congresso.

Essa reforma é considerada pelos agentes econômicos como fundamental para o país colocar suas contas públicas em ordem e, assim, engatar movimento de crescimento econômico sustentado.

O mercado também continuava monitorando os desdobramentos da operação Carne Fraca, que pode afetar a balança comercial brasileira, já que muitos países anunciaram a interrupção temporária de compras do produto brasileiro.

Nesta quarta, foi a vez da África do Sul, que suspendeu as importações de carnes de estabelecimentos com suspeita de envolvimento em fraudes no Brasil.

No exterior, o dólar tinha leves quedas sobre moedas de alguns países emergentes, como o peso mexicano. Sobre uma cesta de moedas, o dólar tinha leve queda de cerca de 0,20 por cento.

O Banco Central brasileiro vendeu integralmente nesta sessão o lote de até 10 mil swaps tradicionais --equivalente à venda futura de dólares --ofertados para rolagem dos contratos de abril. Já foram cinco leilões iguais, que reduziram a 7,211 bilhões de dólares o estoque que vence no mês que vem.