ANÁLISE-Escândalo das carnes no Brasil testa capacidade de JBS e BRF levar adiante IPOs no exterior

quarta-feira, 22 de março de 2017 17:23 BRT
 

Por Guillermo Parra-Bernal e Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - As duas maiores processadoras de alimentos do Brasil estão se esforçando para restaurar a confiança na qualidade de seus controles internos, enquanto seguem com planos de listar unidades no exterior apesar do escândalo sobre suposta propina a fiscais sanitários, que levou à suspensão de exportações de carnes do país para vários mercados. Na última sexta-feira, a Polícia Federal citou como envolvidas na operação unidades de JBS, maior processadora de carne bovina do mundo, e da BRF, maior exportadora mundial de carne de frango. O escândalo veio à tona poucas semanas antes de JBS e BRF lançarem ofertas públicas iniciais de suas unidades com sede no exterior JBS Foods International e One Foods Holdings. As ofertas, que podem movimentar conjuntamente até 2,5 bilhões de dólares, miram acelerar os planos de expansão global das empresas. Embora JBS e BRF tenham negado as acusações, a imagem da indústria brasileira de carne sofreu um duro golpe. As exportações de carne do país caíram de 63 milhões de dólares em média por dia antes do escândalo para 74 mil na terça-feira.

A China, maior consumidor da carne brasileira, suspendeu todos os embarques de carne do país no fim de semana, com Hong Kong seguindo o movimento na terça-feira e a União Europeia suspendendo as compras de quatro instalações no Brasil. O Japão suspendeu importações de frango das fábricas citadas.

No Brasil, as três principais redes de supermercados do país, GPA, Carrefour e Walmart, anunciaram medidas que incluem retirada de produtos de suas lojas e bloqueio de novas compras.

Quatro pessoas diretamente envolvidas em ambas as operações de JBS e BRF disseram que as empresas iriam avançar com os IPOs, enquanto buscavam reforçar a confiança dos investidores com uma campanha argumentando que a "Operação Carne Fraca" descreveu fatos equivocados sobre seus padrões de segurança. A JBS não tem nenhuma intenção adiar o IPO de pelo menos 1 bilhão de dólares da JBS Foods em Nova York, que espera finalizar em maio ou junho, disse uma das fontes.

A BRF continua a analisar se a venda de uma participação na One Foods será através de um IPO em Londres ou para um grupo de investidores em uma colocação privada, na qual espera levantar 1,5 bilhão de dólares, disse outra fonte. Nenhuma das empresas sentiu ainda alguma repercussão negativa dos potenciais investidores, disseram as fontes. Representantes da JBS e da BRF não comentaram o assunto.

BUSCANDO CLAREZA

O escândalo reduziu em 2,2 bilhões de dólares o valor e mercado de JBS e BRF desde sexta-feira, segundo dados da Thomson Reuters.   Continuação...