Temer diz que vai ligar para presidente da China para esclarecer situação da carne

quinta-feira, 23 de março de 2017 13:11 BRT
 

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Michel Temer disse nesta quinta-feira que vai ligar para o presidente da China, Xi Jinping, para esclarecer a situação da carne brasileira, após a operação que identificou pagamentos de propina para liberação de produtos sem inspeção.

"Eu mesmo devo ligar para o presidente da China para esclarecer essa situação. Eu peço ao nosso Ministério das Relações Exteriores que coloque todos os nossos embaixadores para esclarecer essa situação", disse o presidente.

Em um evento em que foi lançado pela terceira vez o portal do exportador, o presidente aproveitou a plateia de empresários para defender, mais uma vez, a carne brasileira e criticou veladamente a operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que revelou irregularidades na fiscalização da indústria de carnes do país.

"Na verdade isso não poderia alcançar a dimensão que está alcançando", disse Temer, lembrando mais uma vez que são 21 plantas frigoríficas investigadas, de um total de mais de 4 mil em todo o país.

Ao tratar do assunto, o presidente começou chamando a crise da carne como um "pequeno incidente", mas se corrigiu rapidamente, mudando para "grave incidente".

Classificando a crise como um "embaraço internacional", Temer disse que a "nacionalidade" do Brasil "se combinou para contestar aquilo que aparentemente poderia transformar-se em um evento internacional desastroso".

"Tivemos uma pronta resposta, portanto logo superaremos esse embaraço que pode causar prejuízos ao país, mas serão logo superados. O Brasil todo colaborou porque as pessoas percebem que esse é um dos fatores fundamentais da nossa economia e não pode ter sua credibilidade abalada", defendeu Temer.

Vários países, a China entra eles, impuseram restrições à entrada de carne brasileira desde a operação, realizada na última sexta-feira.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu)

 
Presidente Michel Temer
21/03/2017
REUTERS/Adriano Machado