BNDES descarta rever linhas de financiamento para frigoríficos

sexta-feira, 24 de março de 2017 12:02 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, afirmou nesta sexta-feira que o banco de fomento não pretende revisar financiamentos a frigoríficos, mas aguarda mais informações sobre a operação Carne Fraca, da Polícia Federal, sobre esquema de propina a fiscais sanitários.

"Aparentemente a coisa é restrita e por ora não estamos fazendo nada, só acompanhando", disse Maria Silvia a jornalistas, antes de evento no banco.

A presidente do banco de fomento rebateu críticas referentes ao ritmo de liberação de recursos do BNDES, cujos desembolsos caíram 16 por cento no primeiro bimestre sobre o mesmo período do ano passado.

"O banco está fazendo seu papel; somos um banco de desenvolvimento e imaginar que o presidente de um banco de desenvolvimento quer segurar crédito me parece bastante esdrúxulo", disse Maria Silvia, acrescentando que só no primeiro bimestre deste ano o banco liberou 1,5 bilhão de reais em capital de giro para as empresas.

Segundo ela, os desembolsos do banco estão associados ao ritmo da economia e as liberações de recursos muitas vezes refletem pedidos de financiamento que foram feitos em anos anteriores.

Ela reafirmou que o BNDES está trabalhando para agilizar o processo de liberação de recursos, adotando medidas de incentivo a micro, pequenas e médias empresas.

"O banco tem um atraso muito grande entre a entrada dos projetos e o desembolso", disse Maria Silvia, acrescentando que a meta do BNDES é fazer com que ao menos 50 por cento dos projetos que entrarem com pedido num determinado ano sejam aprovados em até 180 dias.

Atualmente, a média de aprovação fica entre 400 e 600 dias, disse a presidente do BNDES.

Questionada se poderia trocar o comando do BNDES pela presidência da mineradora Vale, Maria Silvia descartou os rumores, afirmando "estou muito feliz no banco".

(Por Rodrigo Viga Gaier, texto Alberto Alerigi Jr.)

 
Logo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na entrada de sua sede no Rio de Janeiro, no Brasil
11/01/2017
REUTERS/Nacho Doce