Disparada no preço spot da energia já inviabiliza migração para mercado livre

sexta-feira, 24 de março de 2017 15:49 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Uma disparada neste ano nos preços spot de energia elétrica, ou Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), já tem inviabilizado a migração de alguns consumidores para o mercado livre de energia, onde grandes consumidores podem negociar contratos de suprimento diretamente com geradores ou comercializadoras.

O preço spot é utilizado para negociações de curto prazo, mas influencia as cotações de contratos de maior duração no mercado livre. Neste ano, o PLD do Sudeste saltou 132 por cento desde uma mínima registrada na segunda semana de janeiro, enquanto o PLD do Nordeste subiu 208 por cento na mesma comparação.

Com isso, empresas que se preparavam para migrar para o mercado livre mas ainda não tinham garantido a contratação de energia estão voltando atrás, disse à Reuters o diretor da comercializadora de eletricidade Energética, Laudenir Pegorini.

"Cerca de 20 por cento desses consumidores estão pedindo às distribuidoras para postergar a migração porque o preço está muito alto", disse.

Como alternativa, segundo Pegorini, a Energética tem tentado convencer os clientes a entrar no mercado livre com contratos mais longos, de até cinco anos, que são menos sujeitos a subir por influência do PLD.

O presidente da comercializadora Comerc, Cristopher Vlavianos, também avalia que não está valendo a pena migrar neste momento.

"Se você pegar um preço desse de energia (patamares atuais) não vale a pena migrar. Começa a valer a pena migrar ano que vem, aí o preço vai dando uma reduzida. Você não faria uma migração para começar em 2017 com esses preços de energia que estão no mercado", disse Vlavianos.

O executivo disse que em 2016, quando o consumo de eletricidade estava em queda, os preços no mercado livre chegaram a cair tanto que a migração proporcionava descontos de 30 a 40 por cento em relação ao custo da eletricidade na distribuidora.   Continuação...