Iniciativas do governo ainda não surtem efeito e construtoras veem 2017 com cautela

sexta-feira, 24 de março de 2017 16:11 BRT
 

Por Gabriela Mello e Ana Mano

SÃO PAULO (Reuters) - A queda da taxa básica de juro e as medidas recentemente anunciadas pelo governo federal ainda não surtiram o efeito desejado no setor imobiliário e as companhias devem seguir cautelosas para 2017.

De modo geral, construtoras e incorporadoras sinalizam uma estratégia mais focada em reduzir estoques que em lançar novos empreendimentos, enquanto aguardam um desfecho das negociações para regulamentação da situação de cancelamento de contratos de venda, o chamado distrato.

O setor vem dialogando há meses com entidades de defesa do consumidor e representantes do ministério do Planejamento os direitos e obrigações de compradores e empresas em caso de cancelamento do contrato.

"Nosso cenário para 2017 é de que as coisas serão duras", afirmou o co-presidente da Cyrela, Raphael Horn, durante teleconferência sobre os resultados trimestrais, nesta sexta-feira. A expectativa da empresa é de que os distratos sigam em níveis elevados no primeiro trimestre, o que deve comprometer a sua capacidade de geração de caixa e lucratividade.

No ano passado, as vendas canceladas atingiram um recorde histórico, provocando queda 66 por cento no lucro líquido anual da Cyrela. E a maior incorporadora de imóveis para média e alta renda no país só vê melhora nesses indicadores a partir de 2018.

"Mágicas não são esperadas do lado dos distratos porque a dinâmica econômica não é suficiente para uma guinada", afirmou. Por esse motivo, a Cyrela deve manter os lançamentos em nível similar ao de 2016, quando iniciou 32 projetos em seus principais mercados, com destaque para São Paulo e Rio de Janeiro.

Já a Gafisa planeja intensificar os esforços para venda de estoques no primeiro semestre, deixando os lançamentos mais para o fim do ano, de acordo com o diretor financeiro do grupo, André Bergstein. Em relação aos distratos, contudo, Bergstein ressaltou que a sinalização é positiva.

No quarto trimestre, os distratos da Gafisa totalizaram 100 milhões de reais, menor nível em 24 meses. No mesmo período de 2015, os distratos haviam somado 125 milhões.   Continuação...