27 de Março de 2017 / às 15:22 / em 5 meses

Dólar sobe ante real com maior aversão ao risco após derrota de Trump

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava em alta ante o real nesta segunda-feira com a derrota do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na votação de um projeto de lei para revisar o sistema de saúde provocando aversão ao risco e pressionando as moedas de países emergentes.

Às 12:12, o dólar avançava 0,60 por cento, a 3,1268 reais na venda, depois de bater na máxima do dia 3,1379 reais. O dólar futuro tinha alta de 0,58 por cento.

"A derrota de Trump traz imprevisibilidade ao mercado", disse o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello, destacando que as divisas mais ligadas às commodities são as que mais sofrem.

Após o cancelamento na sexta-feira da votação sobre reforma no sistema de saúde dos Estados Unidos, aumentaram as preocupações dos investidores de que Trump terá dificuldades para cumprir outras promessas de campanha, em particular sobre gastos e cortes de impostos.

Líderes republicanos da Câmara dos Deputados desistiram de votar a matéria por falta de votos para aprová-la, apesar da forte pressão da Casa Branca e seus aliados no Congresso, fazendo com que fracassasse a primeira grande iniciativa legislativa de Trump desde que assumiu a Presidência em janeiro.

Nesta sessão, o dólar caía contra uma cesta de moedas, mas avançava ante a maioria das divisas de países emergentes, como os pesos chileno e mexicano e o rand sul-africano.

"A agenda carregada nesta semana também traz um pouco de cautela aos investidores", acrescentou Faganello ao citar, por exemplo, o anúncio do contingenciamento do orçamento da União deste ano e de possível aumento de impostos na terça-feira.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que entre as opções está o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras, porém descartou IOF de câmbio, uma das preocupações dos investidores nos últimos dias.

"Essa informação, juntamente com a de que alguns países retomaram as importações de carne do Brasil, poderia trazer alívio ao dólar, mas houve pressão compradora", acrescentou um operador de câmbio de uma corretora nacional.

Nos últimos dias, China, Egito e Chile anunciaram a reabertura de seus mercados à importação de carne brasileira, o que pode aliviar os impactos sobre a balança comercial do país.

O Banco Central brasileiro vendeu integralmente nesta sessão o lote de até 10 mil swaps tradicionais --equivalente à venda futura de dólares --ofertados para rolagem dos contratos de abril. Já foram oito leilões iguais, que reduziram a 5,711 bilhões de dólares o estoque que vence no mês que vem.

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