Governo quer prazo para reforma da Previdência nos Estados, mas enfrenta resistência da base

segunda-feira, 27 de março de 2017 21:40 BRT
 

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O Palácio do Planalto quer adotar um prazo de seis meses para que Estados e municípios façam as suas reformas da Previdência, apesar da decisão, anunciada na semana passada, de retirar os servidores estaduais das mudanças federais, mas a proposta desagradou os líderes da base, informaram à Reuters fontes do governo.

A proposta apresentada ao presidente Michel Temer pelo deputado Pauderney Avelino (DEM-AM) já foi analisada e encampada pela equipe econômica, que não ficou satisfeita com a retirada dos Estados do processo de reforma.

Na semana passada, Temer anunciou que estava retirando os servidores de Estados e municípios da reforma federal, alegando que não faria diferença para o déficit nacional e facilitaria a tramitação da proposta na Câmara.

A mudança foi feita por pressão dos parlamentares, que alegaram que seria mais fácil desmobilizar os protestos dos servidores estaduais, como policiais e professores.

A decisão, anunciada pessoalmente por Temer, tirou pressão dos parlamentares, mas desagradou os governadores e teve repercussão negativa no mercado financeiro.

A fórmula desenhada pela equipe econômica alivia o impacto da retirada dos servidores estaduais ao dar um prazo para que os governos locais façam suas próprias regras. Se as reformas estaduais e municipais não forem aprovadas, passam a valer as regras federais. A mudança, discutida nesta segunda-feira, ainda não é consenso.

"Pode ser uma outra solução, mas deve ter alguma coisa. Os governadores reclamaram muito", disse uma das fontes. Se for acatada, a mudança deve ser apresentada como uma emenda do relator da Proposta de Emenda à Constituição da reforma da Previdência na Câmara, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA).

A proposta, no entanto, enfrenta resistência da base governista.   Continuação...

 
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