Operação Carne Fraca alimenta pedidos para que EUA bloqueiem entrada de carne brasileira in natura

segunda-feira, 27 de março de 2017 21:50 BRT
 

Por Tom Polansek

CHICAGO (Reuters) - Um grupo de parlamentares e defensores da segurança alimentar dos Estados Unidos está pressionando o governo norte-americano a se juntar a outras nações e bloquear os embarques de carne bovina in natura do Brasil em face de um escândalo revelado pela operação Carne Fraca.

Os Estados Unidos já começaram a testar toda a carne bovina do Brasil para patógenos. [nL2N1GX1MF]

Mas as organizações agrícolas argumentam que é necessária uma ação mais forte para proteger o fornecimento alimentar, pois os consumidores dos EUA têm menos possibilidade de escolher a carne desde o fim da legislação exigindo que a carne seja rotulada para mostrar sua origem. A campanha para bloquear as importações do Brasil também devem impulsionar as vendas domésticas.

Muitos países importadores suspenderam as compras do Brasil depois que a Polícia Federal brasileira divulgou, em 17 de março, uma investigação sobre supostos pagamentos de propina envolvendo a fiscalização de produtos no Brasil.

Sem uma iniciativa similar dos Estados Unidos, "os consumidores que desejam evitar o produto brasileiro teriam que evitar todos os produtos", disse Bill Bullard, diretor executivo do grupo de produtores de gado dos Estados Unidos, R-CALF USA.

Legisladores norte-americanos derrubaram as leis de rotulagem dos EUA, conhecidas como COOL, em 2015, para evitar mais de 1 bilhão de dólares em sanções comerciais pelo México e pelo Canadá.

No ano passado, os Estados Unidos começaram a permitir embarques de carne in natura do Brasil depois de terem proibido a importação devido a preocupações com a febre aftosa em bovinos.

Uma caixa de carne importada do Brasil agora seria rotulada como proveniente do Brasil se fosse vendida aos consumidores em seu recipiente original, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). No entanto, se for reembalada ou reprocessada, não há como identificá-la como brasileira, disse a agência.   Continuação...