Odebrecht Óleo e Gás negocia recuperação extrajudicial com credores, dizem fontes

terça-feira, 28 de março de 2017 09:32 BRT
 

Por Aluísio Alves e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - A Odebrecht Óleo e Gás (OOG) está negociando com credores e detentores de títulos uma recuperação extrajudicial, disseram à Reuters duas fontes a par do assunto.

A opção tem sido vista pela companhia como uma alternativa para reescalonar pagamentos sem ter que obter aval de toda sua base de detentores de títulos, disse uma das fontes.

A expectativa é que, se optar por essa solução, a companhia precisará de aprovação de donos de 60 por cento da dívida da companhia, disse a segunda fonte. Uma recuperação judicial envolveria todos os credores e precisaria de aval prévio da Justiça.

"Os bônus da empresa estão nas mãos de milhares de investidores e é muito complicado conseguir unanimidade numa base tão diluída", disse a primeira fonte.

Sofrendo os efeitos combinados da crise no setor de óleo e gás e do envolvimento de sua controladora Odebrecht nas investigações da operação Lava Jato, a OOG vem negociando com credores e investidores desde o fim de 2015 uma readequação de seus cerca de 5 bilhões de dólares em dívida, com a maior parte do montante vencendo até 2022.

Meses antes, a Petrobras havia cancelado o contrato do navio-sonda ODN Tay IV, uma das quatro plataformas que garantem bônus da empresa.

Segundo a primeira fonte, a OOG avalia que com a entrada em operação nos próximos meses de seu navio-plataforma FPSO Pioneiro, em Libra, maior reserva de petróleo do pré-sal, terá condições de propor um alongamento dos pagamentos a credores e investidores sem mesmo ter que propor uma redução do valor principal. O navio vai prestar serviços à Petrobras.

Consultada sobre as negociações para uma recuperação extrajudicial, a OOG afirmou que "segue em negociações construtivas com seus credores com o objetivo de fortalecer sua posição financeira de curto e longo prazo em meio ao desafiador cenário da indústria de óleo e gás".

 
Sede da Odebrecht SA em São Paulo

21/12/2016     REUTERS/Paulo Whitaker