ENTREVISTA-Governo do Brasil começa a negociar petróleo do pré-sal a partir de setembro

terça-feira, 28 de março de 2017 16:43 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A estatal Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), responsável por representar os interesses do governo federal nos contratos de Partilha, prevê iniciar a comercialização do óleo e do gás da União, extraídos do pré-sal, em setembro, afirmou à Reuters nesta terça-feira o presidente da companhia, Ibsen Flores. Dessa forma, o governo poderá finalmente se beneficiar dos recursos extraídos do pré-sal, sob regime de Partilha, após publicação na última sexta-feira de uma resolução que detalha o papel da estatal previsto na lei de sua criação.

Será a primeira vez na história do Brasil que o governo irá comercializar óleo e gás. Os recursos adquiridos a partir da venda dos produtos serão depositados diretamente na conta do Tesouro Nacional.

"É um mercado novo que se abre no Brasil, pelo que a gente tem conversado com as empresas, existe bastante interesse em atuar neste mercado (como agentes comercializadores contratados pela PPSA)", destacou Flores, em sua primeira entrevista após a publicação das regras.

Em dezembro, o governo estimou em uma nota que as receitas com a comercialização seriam de 800 milhões de reais em 2017, mas Flores destacou que o cálculo está desatualizado, devido à variação de parâmetros como o valor do petróleo e do dólar.

Nos próximos seis meses, a empresa planeja realizar os trâmites necessários para garantir que as diretrizes determinadas pelo governo sejam cumpridas, além de definir a contratação de um agente comercializador e concluir os cálculos necessários para definir os volumes devidos ao governo.

Parte importante do petróleo que será pago à União neste ano será extraído da área de Libra, na Bacia de Santos, operada pela Petrobras, que entra em Teste de Longa Duração (TLD) em julho, com produção estimada em 30 mil barris de petróleo por dia, segundo Flores.

Do volume produzido no TLD, o governo deverá receber cerca de 12 mil barris/dia. No entanto, o executivo explicou que Libra deverá ser declarado comercial ainda neste ano, cumprindo o prazo previsto em contrato, e o volume apropriado pelo governo irá cair, em função dos custos que passam a ser descontados.

Licitada em 2013, Libra é considerada pelo governo federal como a área de óleo e gás mais promissora no Brasil e foi a única a ser leiloada até agora sob regime de Partilha.   Continuação...