BC vê inflação menor em 2017 e cenário de corte mais intenso na Selic

quinta-feira, 30 de março de 2017 19:37 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central passou a ver inflação menor em 2017, ainda mais abaixo do centro da meta oficial, e também deixou claro que vai fazer uma "intensificação moderada" no ritmo de corte dos juros básicos diante da desinflação mais difundida.

"A consolidação do cenário de desinflação mais difundida, que abrange os componentes da inflação mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária, fortalece a possibilidade de uma intensificação moderada do ritmo de flexibilização da política monetária, em relação ao ritmo imprimido nas duas últimas reuniões do Copom", informou BC nesta quinta-feira ao publicar seu Relatório Trimestral de Inflação.

Desde que iniciou o ciclo de afrouxamento, em outubro do ano passado, o BC já reduziu a Selic em 2 pontos percentuais, aos atuais 12,25 por cento ao ano. Foram dois cortes iniciais de 0,25 ponto e depois dois de 0,75 ponto.

"Essa 'intensificação moderada' sinaliza que ele (BC) provavelmente está pensando num corte de 1 ponto, e não em 1,25 ponto (em abril)", afirmou a economista-chefe da consultoria Rosenberg, Thais Zara, referindo-se ao próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.

O BC também destacou a importância de 2019 para a condução da política monetária ao assinalar que "a extensão do ciclo de flexibilização monetária, inclusive as taxas vigentes ao longo de 2018, dependerá das projeções e expectativas de inflação para 2019, mas também das estimativas da taxa de juros estrutural da economia brasileira".

Diante de dados favoráveis para a inflação e do cenário de ancoragem das expectativas, o mercado passou a esperar que o BC irá acelerar o ritmo de corte da Selic a 1 ponto já em abril. A expectativa é de que a taxa feche este ano perto de 9 por cento.

No relatório de inflação, o BC previu alta de 4 por cento do IPCA em 2017 pelo cenário de mercado, abaixo dos 4,2 por cento em fevereiro e do centro da meta oficial, de 4,5 por cento, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Para 2018, seguiu projetando avanço de 4,5 por cento e, para o primeiro trimestre de 2019, a expectativa é de o IPCA subindo 4,6 por cento em 12 meses.   Continuação...

 
Presidente do Banco Central,  Ilan Goldfajn
20/12/2016
REUTERS/Ueslei Marcelino