Bovespa interrompe seis altas seguidas e fecha em queda de 0,4%, em sessão de volume reduzido

quinta-feira, 30 de março de 2017 17:54 BRT
 

Por Flavia Bohone

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da bolsa paulista fechou em baixa nesta quinta-feira, em movimento de ajuste após acumular alta de 4 por cento nos seis pregões anteriores, e com as ações da CSN liderando as perdas.

O Ibovespa caiu 0,4 por cento, a 65.265 pontos. O giro financeiro somou 5,92 bilhões de reais, muito abaixo da média diária para o mês até a véspera, de 8,4 bilhões de reais, e o menor volume diário registrado em março até o momento.

"É um movimento normal de ajuste. De modo geral, o mercado brasileiro está um pouco esticado e falta um gatilho para justificar a retomada da alta para além do patamar dos 65 mil pontos", disse o analista da corretora Um Investimentos Aldo Moniz.

No cenário político, o governo anunciou na noite passada medidas para cumprir a meta fiscal deste ano, que incluíram o corte de 42,1 bilhões de reais em gastos discricionários e o fim da desoneração da folha de pagamentos para cerca de 50 setores. Além disso, o governo equiparou a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para cooperativas de crédito à alíquota cobrada dos bancos.

Segundo operadores, embora as medidas tenham o lado positivo de reforçar o compromisso do governo com o cumprimento da meta, ainda é preciso avaliar o impacto da reoneração da folha de pagamento para as empresas.

"O (ponto) negativo é o fato de que empresas antes beneficiadas com a desoneração passam a ter que pagar mais impostos, podendo prejudicar a recuperação econômica em ambiente já difícil", escreveram mais cedo analistas da corretora Lerosa Investimentos em nota a clientes.

Segundo analistas do BTG Pactual, BRF e JBS devem ter um impacto de 4 por cento e 1 por cento, respectivamente, no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) com a reoneração da folha.

Ainda no front local, o Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta manhã, mostrou que o Banco Central passou a ver inflação mais baixa em 2017 e também deixou claro que vai fazer uma "intensificação moderada" no ritmo de corte dos juros básicos.   Continuação...