Déficit em hidrelétricas deve ter impacto financeiro de R$21 bi em 2017, diz CCEE

quinta-feira, 30 de março de 2017 18:29 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Uma menor produção das hidrelétricas do Brasil neste ano, devido ao baixo nível dos reservatórios, deverá gerar um impacto financeiro de 20,9 bilhões de reais para o setor elétrico, disse a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) à Reuters nesta quinta-feira.

Pelas projeções da CCEE, as hidrelétricas deverão gerar em 2017 cerca de 84,5 por cento de suas garantias físicas, que é o montante de energia que as usinas podem vender em contratos no mercado elétrico.

Os prejuízos deverão ocorrer com a necessidade de compra de energia de fontes mais caras, como as termelétricas, para cobrir a defasagem na produção das hidrelétricas, que operam com custos mais baixos.

O problema das hidrelétricas, que caminha para o quarto ano consecutivo, decorre de períodos chuvosos abaixo da média no Brasil nos últimos anos, que têm impedido uma retomada do nível dos reservatórios. Quando não conseguem guardar água suficiente entre novembro e março, época das chuvas, as usinas precisam gerar menos para recompor os lagos nos meses mais secos.

Essa geração hidrelétrica menor sinaliza que poderá haver um impacto de cerca de 14,2 bilhões de reais para os agentes do mercado regulado, atendido pelas distribuidoras.

Já no mercado livre de eletricidade, onde grandes clientes negociam contratos diretamente com os geradores, o déficit poderá gerar um impacto financeiro de 6,7 bilhões de reais em 2017.

As estimativas não permitem apontar, no entanto, quanto desse custo será repassado aos consumidores e nem o eventual impacto em tarifas, afirmou à Reuters o conselheiro da CCEE Roberto Castro.

"Essa não é uma conta simples de fazer... esse cálculo é, digamos, um sinal do que está acontecendo, porque ele não leva em conta nenhuma estratégia comercial eventualmente adotada pelos agentes", explicou.   Continuação...