Braskem deve enfrentar ação judicial dos EUA por escândalo envolvendo Petrobras

sexta-feira, 31 de março de 2017 13:53 BRT
 

Por Jonathan Stempel

NOVA YORK (Reuters) - A petroquímica brasileira Braskem deve enfrentar a maior parte de uma ação de acionistas sobre seu papel no escândalo de corrupção envolvendo a estatal Petrobras, decidiu um juiz dos Estados Unidos.

Em uma decisão divulgada nesta sexta-feira, o juiz Paul Engelmayer, de Manhattan, disse que os detentores de recibos de ações da Braskem nos EUA têm o direito de processar a empresa e o ex-presidente Carlos Fadigas por terem escondido deles que o pagamento de suborno permitiu que a empresa comprasse nafta da Petrobras a preços abaixo dos praticados pelo mercado.

A nafta é um ingrediente chave para a petroquímica, e a denúncia diz que a Braskem comprou 70 por cento do insumo da Petrobras.

Mark Gimbel, advogado da Braskem e de Fadigas, disse em um email que a empresa está "empenhada em defender-se vigorosamente" e satisfeita pelo juiz ter rejeitado várias outras ações.

O preço dos American Depositary Receipts (ADRs) da Braskem caiu 20,3 por cento em 11 de março de 2015, depois que a empresa foi envolvida no escândalo de corrupção da operação Lava Jato, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

Em dezembro passado, a Braskem e a Odebrecht, que juntamente com a Petrobras são controladoras da Braskem, concordaram em pagar pelo menos 3,5 bilhões de dólares para encerrar as acusações de suborno movidas por reguladores norte-americanos, brasileiros e suíços.

Em sua decisão de 55 páginas, datada de 30 de março, Engelmayer disse que a Braskem não estava obrigada a abordar todos os fatores de preço da nafta nas informações prestadas aos reguladores do mercado.

Ele também disse, contudo, que os investidores em ADRs alegaram corretamente que a Braskem "escolheu levar ao conhecimento público apenas fatores benignos", enquanto escondia o "elefante na sala": o papel substancial que o suborno teve.   Continuação...