ANÁLISE-Supersafra tira Brasil da recessão agora, mas crescimento disseminado só no 2º tri

quarta-feira, 5 de abril de 2017 15:32 BRT
 

Por Luiz Guilherme Gerbelli

SÃO PAULO (Reuters) - A economia brasileira deve ter saído da recessão no primeiro trimestre deste ano quase que exclusivamente com o agronegócio, o que levará o crescimento mais consistente e disseminado ocorrer só mais à frente, de acordo com economistas consultados pela Reuters.

Na projeção de bancos e consultorias, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer de 0,1 a 0,3 por cento entre janeiro e março quando comparado com o quarto trimestre de 2016, com o salto que pode chegar a 8 por cento da agropecuária pela supersafra que o país registrou no período.

"Projetamos expansão bastante significativa, de 8 por cento, para a agropecuária. Se não fosse essa contribuição, a variação do PIB seria negativa", resumiu o economista do banco Santander Rodolfo Margato, para quem o PIB terá expansão de 0,3 por cento no primeiro trimestre.

Tradicionalmente, os números da agropecuária são mais positivos no começo do ano. Agora, o setor --que no cálculo global do PIB responde diretamente por apenas 5 por cento-- deve contribuir com desempenho melhor por causa da supersafra, sobretudo da soja, um dos principais produtos de exportação do Brasil. A fraca base de comparação com 2016 também ajuda no cálculo.

"A nossa projeção é de alta de 6,8 por cento para o PIB da agropecuária, mas não descartamos avanço ainda maior", afirmou a pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Silva Matos, para quem o PIB do país deve ter expansão de 0,3 por cento no primeiro trimestre.

Para o diretor da Agroconsult, André Pessôa, a agropecuária como um todo deve contribuir com 0,40 ponto percentual do crescimento do PIB em 2017. Só a soja deve ajudar com 0,24 ponto.

No ano passado, a economia brasileira aprofundou a crise ao encolher 3,6 por cento, marcando a mais longa recessão da história.

Para este ano, segundo pesquisa Focus do Banco Central, que ouve uma centena de economistas todas as semanas, a projeção é de tímido crescimento, pouco inferior a 0,5 por cento. Só o PIB do agronegócio deve crescer 5,77 por cento em 2017, enquanto o da indústria deve ter aumento de 0,84 por cento e o de serviços, leve queda de 0,08 por cento.   Continuação...