ENTREVISTA-Engie vê mais de 10 interessados em térmicas a carvão colocadas à venda no Brasil

quinta-feira, 6 de abril de 2017 18:57 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A Engie Brasil Energia recebeu manifestações de mais de dez empresas interessadas em avaliar termelétricas a carvão que a companhia pretende vender para focar os negócios em fontes renováveis, como usinas eólicas e solares, disse à Reuters nesta quinta-feira o presidente do Conselho de Administração da empresa, Maurício Bahr.

Controlada pela francesa Engie, ex-GDF Suez, a companhia anunciou em fevereiro a contratação do banco Morgan Stanley para assessorar um processo de sondagem do mercado para eventual venda do complexo termelétrico Jorge Lacerda, já em operação, e da termelétrica Pampa Sul, cujas obras devem ser concluídas até o final de 2018.

Os empreendimentos somam cerca de 1,2 gigawatts em capacidade instalada, de um total de aproximadamente 9,3 gigawatts que a Engie Brasil, uma das maiores geradoras do país, possui em usinas prontas ou em implementação.

"Começamos um processo, estamos recebendo cartas de intenção de interesse e acreditamos que em mais alguns meses a gente deva receber propostas não vinculantes... Está em dois dígitos o grupo de interesse, passa de 10 (empresas), então é bem interessante", disse Bahr, que também é o presidente da Engie para o Brasil.

Segundo ele, faria sentido vender as usinas em conjunto, dado que uma delas já produz receitas, enquanto a outra exige investimentos.

Bahr não estimou quanto a empresa poderia obter com tais desinvestimentos em carvão ou se o forte interesse pode ajudar a companhia a vender bem os ativos, mesmo em um momento em que muitas empresas estão mais focadas em geração renovável.

A decisão da Engie de sair da geração a carvão segue uma diretriz do grupo francês para seus negócios no mundo, focada em descarbonização, descentralização e digitalização dos negócios em energia.

"A gente vai continuar expandindo nas renováveis. Eólica, solar, hidráulica... biomassa também está no radar. Estamos olhando também na área de gás", afirmou Bahr.   Continuação...