Governo piora meta de déficit primário para 2018 e vê superávit apenas em 2020

sexta-feira, 7 de abril de 2017 19:56 BRT
 

Por Marcela Ayres e Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O governo federal piorou expressivamente nesta sexta-feira a meta de déficit primário para o governo central em 2018, a 129 bilhões de reais, marcando outro ano de grande rombo nas contas públicas, sob o impacto da fraqueza econômica e maior debilidade na arrecadação.

Ecoando o cenário negativo para as contas públicas, a expectativa passou a ser de um resultado fiscal positivo somente em 2020.

O anúncio de um horizonte mais demorado para o reequilíbrio fiscal, prevista na proposta de Lei de Diretrizes Orçamentária para o próximo ano apresentada nesta sexta-feira, fez o dólar passar a subir frente ao real, com os agentes de mercado apontando a necessidade de reformas estruturais para colocar o país de volta aos trilhos.

O déficit previsto para o governo central em 2018 -- equivalente a 1,8 por cento do Produto Interno Bruto -- superou com folga o rombo previsto anteriormente de 79 bilhões de reais e ficou, inclusive, maior que o saldo negativo de 118,3 bilhões de reais estimado pelo mercado, conforme relatório Prisma Fiscal. Também se aproximou da meta fiscal do governo central (Tesouro, Previdência e Banco Central) para 2017, de um rombo de 139 bilhões de reais.

Em coletiva de imprensa, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que o novo número leva em conta "todo o efeito da crise de 2015 e 2016" e o impacto defasado da recessão sobre a arrecadação.

Apesar de o governo prever uma expansão do PIB de 2,5 por cento para o ano que vem, ante apenas 0,5 por cento neste ano, a previsão é que a receita líquida da União fique estacionada em 17,1 por cento do PIB no ano que vem --mesmo percentual previsto para este ano.

Na quarta-feira, uma fonte já havia dito à Reuters que o governo poderia elevar o déficit primário previsto para 2018 em meio ao ritmo ainda lento da recuperação econômica, em direção a uma meta vista como factível.

"É um orçamento bastante sólido, bastante transparente, bastante conservador", avaliou Meirelles.   Continuação...

 
Ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira, anunciam meta fiscal para 2018, em entrevista no Palácio do Planalto, em Brasília 7/04/ 2017. REUTERS/Ueslei Marcelino