Equipe econômica eleva o tom ao sair em defesa da reforma da Previdência

segunda-feira, 10 de abril de 2017 11:42 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A equipe econômica assumiu um tom mais alarmista para defender a necessidade de o Congresso Nacional aprovar a reforma da Previdência agora, dias após o presidente Michel Temer ter cedido aos apelos políticos e aberto mão de importantes pontos da proposta original e que vão reduzir a economia de despesas em mais de 100 bilhões de reais em uma década.

Os ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento), que participaram de um mesmo evento nesta segunda-feira, defenderam que, entre outros, se a reforma não for aprovada neste ano, direitos dos aposentados serão cortados num futuro próximo e a economia não se recuperará bem neste ano.

"Temos a oportunidade de fazer a reforma da Previdência sem cortar direitos", afirmou Oliveira, acrescentando que, se ela for postergada por mais 2 ou 3 anos, essa "janela se fecha".

E Meirelles não foi diferente: "a solução lá na frente será muito pior", afirmou ele, ao se referir à necessidade de se aprovar a reforma agora.

Diante da constatação de que não teria condições de aprovar a reforma da Previdência como está, na semana passada o governo admitiu alterar a proposta em pelo menos cinco pontos mais sensíveis, que podem reduzir economia com ela em 115 bilhões de reais ao longo de 10 anos.

Também na semana passada, o governo piorou expressivamente a meta de déficit primário para o governo central em 2018, a 129 bilhões de reais.

Meirelles disse ainda que a aprovação mais rápida da reforma da Previdência é fundamental para recuperação da economia em 2017 e que, quando ela sair do papel, em 10 anos um terço das despesas totais para outras despesas poderão existir.

Já Oliveira destacou que, sem a reforma, os juros estruturais do país serão mais altos e que o governo está propondo uma reforma gradual, que não reduz benefício e não aumenta a carga tributária para os aposentados.

"Se não fizermos reforma, em 10 anos a Previdência vai responder por 80 por cento das despesas do governo", acrescentando que, com isso, "o governo estaria inviabilizado".   Continuação...

 
Ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira. 07/04/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino