Azul estreia com pompa na Bovespa e reforça retomada em mercado acionário brasileiro

terça-feira, 11 de abril de 2017 17:54 BRT
 

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - A Azul, terceira maior companhia aérea brasileira, estreou com pompa na Bovespa nesta terça-feira, após uma oferta inicial de ações (IPO) que movimentou 2 bilhões de reais e marcou mais um capítulo na retomada das captações no mercado acionário brasileiro.

O antigo pregão viva-voz da bolsa paulista recebeu decoração ao estilo da companhia, incluindo os salgadinhos oferecidos pela empresa em seus voos, com recepcionistas vestindo o uniforme da linha aérea dando boas-vindas àqueles que atravessavam um túnel de embarque para acompanhar o tradicional toque do sino que dá início às negociações.

O fausto também se traduziu em números. A operação atribuiu um valor de mercado de 2,4 bilhões de dólares (7,5 bilhões de reais) para a Azul. Além disso, a transação marcou o maior IPO desde a oferta da BB Seguridade em 2013, bem como a primeira listagem dupla de companhia brasileira - São Paulo e Nova York - desde a oferta do Santander Brasil em 2009. Ainda, a ação chegou a avançar mais de 9 por cento no melhor momento do dia em relação ao preço do IPO, de 21 reais, encostando no teto da faixa indicativa de 23 reais.

Segundo informaram fontes do mercado à Reuters ainda na segunda-feira, a demanda pela oferta superou cinco vezes o volume ofertado, considerando o preço de 21 reais por ação.

"Nós estamos muito satisfeitos com o resultado", afirmou o presidente da Azul, Antonoaldo Neves, acrescentando que a operação deixa a empresa criada em 2008 pelo empresário David Neeleman, mais forte para enfrentar os desafios do dia a dia.

Desafios que não são poucos uma vez que o setor no país ainda passa por fraqueza de demanda em razão da recessão brasileira que já dura dois anos. Sobre isso, o presidente da Azul, que estava limitado pelo período de silêncio do IPO, comentou apenas que a empresa "está bastante segura" de que nas condições atuais sua equação demanda/oferta está equilibrada.

Uma semana antes, o presidente da rival Avianca Brasil, Frederico Pedreira, havia afirmado que o setor ainda tem espaço para reduzir a oferta de assentos, já que a taxa de ocupação de voos da indústria estava abaixo de 80 por cento.

Para o presidente da Azul, o resultado do IPO representa um momento importante, porque sinaliza que investir no Brasil voltou a ser atrativo. "Demonstra confiança dos investidores na retomada da economia e na superação da maior crise que nosso país já viveu", afirmou o executivo à plateia que encheu o salão na B3.   Continuação...

 
Antonoaldo Neves, presidente da Azul, fala ao público antes da oferta inicial de ações da companhia na Bovespa, em São Paulo, no Brasil
11/04/2017
REUTERS/Nacho Doce