Falta de manutenção em linha de energia na Venezuela ameaça suprimento em Roraima

quarta-feira, 12 de abril de 2017 14:51 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Um linhão de energia entre Brasil e Venezuela que já foi símbolo das ambições de integração regional da América Latina se tornou motivo de preocupação para o governo brasileiro, devido a falhas frequentes que têm prejudicado o fornecimento de eletricidade em Roraima.

Com apenas 500 mil habitantes e em meio à floresta Amazônica, Roraima conta com energia venezuelana para reduzir o uso de termelétricas caras e poluentes, mas essas usinas têm sido cada vez mais acionadas e mesmo assim não conseguem evitar a queda do sistema em diversos momentos, disse à Reuters uma autoridade brasileira com conhecimento direto do assunto.

Inaugurada em 2001 pelos presidentes Hugo Chávez e Fernando Henrique Cardoso, a linha de transmissão entre os países recebeu cerca de 200 milhões de dólares em investimentos e tinha como objetivo assegurar o suprimento de Roraima por ao menos 20 anos, mas o desempenho da estrutura já apresenta forte deterioração.

"A interligação com a Venezuela passa por momentos difíceis. Nos últimos tempos essa linha tem sofrido uma série de interrupções. O problema (agora) não é de água, é a linha, é a transmissão. Eles não têm recursos, não dão manutenção na linha, então ela cai mesmo", disse a fonte, que falou sob anonimato devido à sensibilidade do tema.

Em um debate na Assembleia Legislativa de Roraima há duas semanas, o deputado Izaias Maia (PT do B) pediu união dos políticos locais para resolver a situação da linha, que, segundo ele, operaria atualmente com menos de 2 por cento da capacidade.

"Se cruzarmos os braços, a escuridão vai tomar conta do Estado de Roraima", afirmou Maia na tribuna da assembleia, segundo registro oficial da sessão.

A coordenadora técnica da Federação das Indústrias do Estado de Roraima (FIER), Karen Telles, disse à Reuters que a má qualidade do serviço de eletricidade atrapalha o dia a dia e danifica equipamentos de comércios e das pequenas e micro indústrias locais.

"Nossa energia aqui vinha da Venezuela, e com essa crise deles gradativamente foi precarizando o suprimento", afirmou.   Continuação...