Lista de Fachin deve atrasar reforma da Previdência, mas ainda sai neste ano, dizem analistas

quarta-feira, 12 de abril de 2017 15:54 BRT
 

Por Luiz Guilherme Gerbelli

SÃO PAULO (Reuters) - A abertura de inquérito que investiga diversos ministros e parlamentares da base do presidente Michel Temer na operação Lava Jato deve atrasar a votação da reforma da Previdência, considerada fundamental para a recuperação da economia, mas não a ponto de impedir que saia do papel ainda neste ano.

O motivo é que o governo e seus baldados, acreditam especialistas ouvidos pela Reuters nesta quarta-feira, vão se esforçar politicamente para que a medida passe pelo Congresso Nacional para que, em 2018, o ambiente econômico esteja mais favorável e gere mais chances a eles nas eleições.

"(A lista) aumenta o senso de urgência com a reforma porque torna o governo e os principais partidos, como o PMDB e o PSDB, mais dependentes da economia para construir algum plano crível para a eleição de 2018", afirmou o cientista político da consultora Tendências, Rafael Cortez.

Na véspera, o relator da operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, autorizou a abertura de 76 inquéritos contra parlamentares, ministros de Estado e outras autoridades a partir das delações feitas por executivos da Odebrecht, o que deve provocar lentidão nas atividades legislativas e comprometer a agenda de reformas.

Assim, há avaliações fortes de que a reforma da Previdência só deverá ser aprovada no segundo semestre deste ano, ao contrário do que estimava a equipe econômica, para este semestre.

Essa lentidão, no entanto, não causou surpresa no mercado financeiro. Os investidores continuavam dando o benefício da dúvida ao atual governo e precificando que a Previdência será alterada em breve pelo Congresso Nacional.

Nesta sessão, juros futuros, Bovespa e o dólar tinham leves oscilações, com argumentos, entre outros, de que a lista de Fachin não trouxe grandes novidades, com os nomes dos políticos envolvidos já conhecidos antes.

"Esse risco já estava incorporado e temos um progresso na direção das reformas, às vezes com coisas mais positivas, às vezes com menos. Mas a coisa está caminhado", afirmou o economista-chefe do Banco J.Safra e ex-secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall.   Continuação...