ENTREVISTA-Não será "grande drama" reforma da Previdência ser aprovada um pouco mais tarde, diz Meirelles

quarta-feira, 12 de abril de 2017 20:07 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta quarta-feira que a equipe econômica continua com a expectativa de que a reforma da Previdência será aprovada na primeira metade deste ano, mas caso isso não aconteça, não haverá "grande drama" se o aval final dos parlamentares for dado um pouco mais tarde.

Falando à Reuters por telefone, Meirelles disse ainda que a divulgação da lista de políticos e ministros a serem investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com base nas delações de executivos da Odebrecht veio num momento adequado e que o Congresso continuará funcionando normalmente.

"Esses inquéritos não vão prejudicar o cronograma de discussão e votação das reformas", disse. "Nossa expectativa é de que (a reforma da Previdência) deve ser aprovada neste semestre. Mas caso não o seja, eu não vejo um grande drama, um problema, prejuízo se for aprovada no mês de agosto."

Especialistas ouvidos pela Reuters nesta quarta-feira disseram acreditar num atraso da reforma, mas não ao ponto de impedir que saia do papel ainda neste ano.

A leitura é de que o governo e seus aliados devem se esforçar politicamente para que a medida passe pelo Congresso Nacional para que, em 2018, o ambiente econômico esteja mais favorável e gere mais chances políticas nas eleições.

Na véspera, o relator da operação Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin, autorizou a abertura de 76 inquéritos contra ministros de Estado, governadores, parlamentares e relatores de medidas prioritárias do governo no Congresso, caso do relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA).

Meirelles também afirmou que não está sendo considerado, no momento, o fim do abono salarial para compensar perdas com as mudanças que o governo vem acertando com o Congresso na reforma da Previdência.

Mais cedo, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), havia afirmado que o governo estudava alterações em benefícios dentro da reforma da Previdência para compensar as flexibilizações a serem feitas na reforma, entre elas alterações no pagamento do abono salarial.   Continuação...

 
Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. 29/03/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino