Accor aposta em consolidação do setor para driblar crise no Brasil

quinta-feira, 13 de abril de 2017 17:38 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A AccorHotels, maior rede hoteleira europeia, está se diversificando e reforçando a aposta em consolidação no Brasil como forma de reagir ao avanço dos grupos de reservas online e à forte recessão do país, que tem pressionado o setor, disse à Reuters o principal executivo do grupo na América do Sul.

Com foco em novos empreendimentos em cidades de médio porte, no fortalecimento de seu próprio portal online de reservas com hoteis de terceiros e na oferta de serviços de sua rede para não turistas, a companhia prevê ampliar sua participação no ainda fragmentado mercado hoteleiro do Brasil, disse o presidente da AccorHotels América do Sul, Patrick Mendes.

"O mundo hoteleiro está ficando mais complexo, exigindo mais diversificação e acesso ao inventário", disse Mendes em entrevista. "Quem não conseguir reagir a isso e não tiver escala não vai sobreviver."

Junto com parceiros, a Accor vai investir 2 bilhões de reais em expansão na América Latina em 2017, sendo 70 por cento disso no Brasil, onde pretende inaugurar 30 hotéis, elevando o número de quartos de 47 mil para 52 mil no país.

Apesar da recessão e de o país não ser um dos destinos mais procurados pelos turistas internacionalmente, Mendes avalia que o Brasil tem cerca de um sexto da oferta de quartos por milhares de habitantes do que na Europa, o que justifica os novos empreendimentos.

Além disso, disse, os investimentos são para o longo prazo e ajustes podem ser feitos ao longo do tempo. É o que já tem acontecido em alguns empreendimentos mais antigos, onde a Accor tem reduzido a oferta de quartos em algumas cidades no país mais afetadas pela crise, disse o executivo sem citar quais.

Boa parte das novas unidades serão inauguradas em cidades médias, com população acima de 600 mil pessoas, muitas com suboferta de quartos, disse Mendes. Esses se somarão a aquisições feitas recentemente, incluindo a anunciada em março, quando pagou 200 milhões de reais para assumir a gestão de 26 hotéis da BHG, da GP Investments.

Essa ofensiva é parte dos esforços da Accor de, com aumento da fatia do bolo, responder à retração no setor hoteleiro no país nos últimos três anos, mesmo com eventos de visibilidade global, como os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo.   Continuação...