Governo cede e comissão especial adia votação da reforma da Previdência para maio

quarta-feira, 19 de abril de 2017 11:57 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O governo cedeu à pressão da oposição e concordou em adiar a votação da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara dos Deputados para o início de maio, depois de ter colocado como objetivo iniciar a apreciação já na semana que vem.

Pelo acordo proposto e aceito pela base aliada, o relatório será lido ainda nesta quarta-feira, sendo que a semana que vem será dedicada a debates que ocorrerão de terça-feira a quinta-feira. A votação, com isso, ficou marcada para 2 de maio, disse o presidente da comissão especial da Previdência, deputado Carlos Marun (PMDB-MS).

A oposição se movimentou mais cedo para jogar a votação para frente, buscando frear o ímpeto do governo do presidente Michel Temer de acelerar a análise do texto e, com isso, passar mensagem de força política em relação à proposta que considera crucial para o reequilíbrio das contas públicas.

Em requerimento apresentado nesta manhã, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) chegou a pedir que não fosse realizada nenhuma reunião na comissão no período de 20 a 28 de abril.

"Estamos aqui para negociar com eles algo que seja razoável. O relator no começo dos trabalhos falou que nós teríamos um mês ou 15 dias no mínimo de debate na comissão. Agora eles estão querendo votar na terça-feira que vem", criticou Valente.

Pelo acordo, os deputados contrários à reforma se comprometeram a não obstruir os trabalhos.

Na noite passada, o governo sofreu uma derrota na Câmara dos Deputados ao não conseguir aprovar pedido de urgência para a reforma trabalhista, algo que foi visto pelo Palácio do Planalto como um "mau sinal" mas que poderia ser revertido.

Mais cedo, o relator da reforma da Previdência na comissão, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), falou que fez mudanças para aposentadoria de policiais e mulheres em relação ao texto que havia divulgado na véspera.

Na véspera, Oliveira Maia anunciou alterações em diversos pontos do projeto original do governo, alguns considerados essenciais, como o tempo de contribuição e a idade mínima para mulheres se aposentar, implicando em redução de pelo menos 20 por cento da economia planejada para os próximos 10 anos.   Continuação...

 
Deputado Carlos Marun, presidente da comissão especial da reforma da Previdência, no Palácio do Planalto em Brasília
11/04/2017
REUTERS/Ueslei Marcelino