Prêmios atuais sobre preços de aço no Brasil são insustentáveis, diz presidente da Usiminas

quinta-feira, 20 de abril de 2017 13:15 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A atual diferença de preços entre o aço produzido no Brasil e o importado atingiu níveis insustentáveis no médio a longo prazos, disse nesta quinta-feira o presidente-executivo da Usiminas, Sergio Leite, deixando aberta a possibilidade da empresa rever alguns aumentos de preços aplicados nos últimos meses.

O executivo informou que a atual diferença, conhecida no mercado como "prêmio", está em 20 a 30 por cento ante um patamar de equilíbrio de 5 a 10 por cento.

"Quando passa a ter patamar acima de 20 aumenta o risco de importação", disse Leite em teleconferência com analistas após os resultados do primeiro trimestre. O executivo, porém, afirmou que a Usiminas não está avaliando conceder descontos aos seus preços no Brasil "neste momento" uma vez que a empresa considera possível nas próximas semanas elevação dos preços internacionais do aço.

Segundo ele, para o atual trimestre, a Usiminas ainda espera um aumento de seus preços médios da ordem de 3 a 5 por cento por conta do impacto de reajuste de preços do aço vendido para montadoras japonesas de veículos, cujos anos fiscais começam em abril.

Enquanto isso, a companhia também está esperando por aumentos nos custos de produção de aço no atual trimestre da ordem de 7 a 8 por cento ante os três primeiros meses do ano por conta da alta nos preços do carvão. O nível de investimentos nos próximos meses também deve subir após recuar a apenas 23 milhões de reais no primeiro trimestre. A expectativa de investimentos da Usiminas em 2017 é de cerca de 300 milhões de reais, disse o vice-presidente financeiro, Ronald Seckelmann.

Analistas se mostraram receosos sobre a sustentabilidade do resultado apresentado pela empresa no primeiro trimestre, que ficou acima da média esperada para o mercado e interrompeu uma série de 10 trimestres de prejuízo líquido contínuo.

Em relatório, os analistas Leonardo Correa e Caio Ribeiro, do BTG Pactual, citaram que temem que o resultado do primeiro trimestre da Usiminas esteja refletindo um pico para a empresa.

"Apesar de terem sido resultados inegavelmente fortes, nossa preocupação é que os números não sejam sustentáveis e que o primeiro trimestre tenha marcado um pico do ano", escreveram os analistas do BTG Pactual. "Estamos principalmente preocupados com os descontos de preços adiante considerando os prêmios insustentáveis no mercado doméstico e pressões de custos, particularmente do carvão", acrescentaram.

Já os analistas Thiago Lofiego e Arthur Suelotto, do Bradesco BBI, consideraram que os executivos da Usiminas reconheceram na teleconferência a possibilidade da empresa conceder descontos aos distribuidores no Brasil se os prêmios continuarem acima de 10 por cento.   Continuação...