Governo licita R$12,7 bi em linhas de transmissão de energia; obtém deságio de 36,5%

segunda-feira, 24 de abril de 2017 18:16 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O leilão de concessões para a construção de novas linhas de transmissão de energia realizado pelo governo nesta segunda-feira atraiu forte interesse de investidores, sinalizando uma melhoria no ambiente do setor, com registro de propostas para 31 empreendimentos que deverão demandar 12,7 bilhões de reais em aportes das empresas vencedoras.

A licitação teve a participação de 50 agentes, entre empresas isoladas e organizadas em consórcios, o que levou a diversas disputas acirradas e resultou em um significativo deságio médio de 36,47 por cento em relação às receitas máximas oferecidas por cada projeto, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Em alguns lotes, os descontos --que significam custos menores para o consumidor no futuro, quando as linhas forem entregues-- chegaram a quase 60 por cento, confirmando expectativas otimistas do mercado e de autoridades às vésperas da licitação.

Entre as empresas vencedoras destacaram-se grupos com capital estrangeiro, como a Cteep, controlada pela colombiana Isa; a Elektro, da espanhola Iberdrola; a EDP Brasil, do grupo português EDP Energias de Portugal; e a indiana Sterlite Power Grid, que estreou no país por meio da licitação.

O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, disse a jornalistas após o leilão que o resultado mostra que há uma melhoria do ambiente de negócios no setor elétrico do Brasil.

Ele ressaltou ainda que os bons deságios foram obtidos mesmo sem a participação de estatais, que no passado jogavam para baixo os preços nas licitações de linhas de transmissão.

"Isso mostra o interesse da empresa privada em voltar a investir mais fortemente no Brasil", disse ele.

Apesar do forte deságio, o governo não encontrou interessados para quatro dos 35 projetos leiloados.   Continuação...

 
Pilares de eletricidade e linhas de transmissão de energia em Caçapava, no Estado de São Paulo
14/08/2015
REUTERS/Paulo Whitaker