ENTREVISTA-Mercado já precifica vitória de candidato com agenda de reformas em 2018, diz Samuel Pessôa

segunda-feira, 24 de abril de 2017 15:13 BRT
 

Por Luiz Guilherme Gerbelli

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado financeiro está precificando a vitória de um candidato defensor da agenda econômica reformista elaborada pelo governo Michel Temer na eleição presidencial do ano que vem, e os investidores podem estar indo no caminho correto, segundo Samuel Pessôa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

"O que está no preço do mercado é que a agenda de reformas vai continuar e que haverá um candidato defensor dessa agenda vitorioso em 2018", afirmou Pessôa em entrevista à Reuters.

Formado em física e doutor em economia pela Universidade de São Paulo (USP), Pessôa tem sido uma das principais vozes no debate econômico nos últimos anos. Na campanha presidencial de 2014, foi um dos apoiadores e colaboradores da candidatura do senador tucano Aécio Neves (MG).

As várias medidas econômicas defendidas por Temer, como a já aprovada proposta que limita o crescimento do gasto público e as reformas da Previdência, tributária e trabalhista têm agradado aos investidores e trazido certa tranquilidade no mercado financeiro, embora a recuperação mais consistente da economia brasileira seja dúvida.

Para Pessôa, o candidato presidencial "precificado" pelo mercado deve vir do PSDB, partido que apóia o governo Temer e tem ajudado a garantir algumas vitórias importantes no Congresso Nacional, como o teto dos gastos. E os nomes que hoje estão em evidência são o do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do seu pupilo, prefeito da capital paulista, João Doria.

"A dúvida é saber se haverá um candidato do PMDB. Meu chute é que não. O PMDB é um partido com vocação para ser coadjuvante", afirmou ele. "Hoje, eu acho que um tucano seria um candidato forte, assim como a Marina", acrescentou, referindo-se a Marina Silva, da Rede, que poderia tentar novamente concorrer ao Palácio do Planalto com uma agenda também mais pró-mercado.

Da esquerda, Pessôa destacou alguns nomes como prováveis na eleição do ano que vem: o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou do ex-governador Ciro Gomes (PSB). E mesmo com a Lava Jato a todo vapor, Pessôa mantém seu cenário porque a operação "iguala o jogo".

Se o cenário traçado pelo mercado não se confirmar, a avaliação dele é que os ativos brasileiros devem sofrer nova rodada de deterioração como ocorreu no final da gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, em meados de 2016.   Continuação...