25 de Abril de 2017 / às 16:07 / em 5 meses

Ser pode reavaliar eventual fusão com Estácio se Cade barrar acordo Kroton-Estácio

SÃO PAULO (Reuters) - A Ser Educacional pode analisar novamente uma fusão com a Estácio Participações, caso o acordo de fusão com a Kroton Educacional não seja aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), disse nesta terça-feira o presidente da Ser, Janguiê Diniz.

O executivo ponderou, contudo, que a Ser aguarda decisão do Cade para discutir os cenários possíveis. “A Ser tentou adquirir a Estácio, não foi possível, fez a impugnação no Cade”, afirmou Diniz. “Mas não podemos desconsiderar nenhuma opção”, disse o executivo em evento do setor.

Diniz afirmou que, enquanto o Cade não se posiciona sobre a fusão Kroton-Estácio, a Ser deve se concentrar em expandir as operações de Ensino à Distância (EAD), principalmente a partir do segundo semestre, em todo o Brasil. Hoje, a empresa conta com nove pólos EAD no Nordeste.

Questionado sobre as operações que podem ser colocadas à venda se a fusão Kroton-Estácio for aprovada pelo Cade, o executivo disse que a empresa não está de olho em nenhum ativo específico neste momento. Diniz contou ainda que, além do foco em EAD, a companhia discute em reuniões do conselho de administração várias outras possibilidades, incluindo a entrada no segmento de educação básica, ensino técnico, corporativo e de idiomas.

A Ser Educacional divulga em 5 de maio o balanço do primeiro trimestre do ano, que segundo o presidente deve ser positivo. “Apesar da crise, fizemos nosso dever de casa e esperamos resultado satisfatório”, afirmou.

FIES

Quanto ao encolhimento do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), Diniz ressaltou que o menor número de vagas ofertadas não deve comprometer os planejamentos estratégicos da Ser Educacional, que dispõe de programa próprio de financiamento, o EDUCRED. “Já crescíamos 10 por cento seis anos atrás sem o Fies e não vamos deixar de atingir nossas metas”, disse.

Em 11 de abril, a Reuters noticiou que 98,9 mil, ou 66 por cento, das 150 mil vagas ofertadas pelo Fies para o primeiro semestre haviam sido preenchidas. Em 2016, o Ministério de Educação (MEC) disponibilizou um total de 325 mil vagas (250 mil vagas no primeiro semestre e 75 mil vagas no segundo), das quais 203.583, ou quase 63 por cento, foram preenchidas.

O diretor-executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes), Sólon Caldas, afirmou que o MEC ainda não sinalizou se ofertará mais vagas para o segundo semestre deste ano, mas que a expectativa é de que 20 por cento das vagas remanescentes do primeiro semestre sejam preenchidas nos próximos meses.

“Esperamos novos anúncios sobre o Fies no fim de abril”, acrescentou durante evento do setor.

Por Gabriela Mello

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