IABr reduz projeções para setor siderúrgico em 2017

terça-feira, 25 de abril de 2017 14:28 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O setor que reúne produtores de aço do Brasil reduziu nesta terça-feira projeções para o desempenho da indústria neste ano, em meio à recessão atravessada pelo país, informou nesta terça-feira o Instituto Aço Brasil (IABr).

A estimativa divulgada em novembro passado para o crescimento das vendas de aço no Brasil em 2017 foi cortada quase que pela metade, passando de 3,6 para 1,3 por cento, a 16,7 milhões de toneladas. Já a previsão para o aumento do consumo aparente da liga no país foi reduzida de 3,5 para 2,9 por cento, a 18,7 milhões de toneladas.

A entidade divulgou ainda que espera que a produção de aço bruto no Brasil em 2017 deve subir 3,8 por cento, para 32,5 milhões de toneladas. Em novembro passado o IABr não havia feito estimativas para a produção neste ano.

Segundo o presidente do IABr, Marco Polo de Mello Lopes, o setor siderúrgico vai ser afetado pelo baixo crescimento da economia em 2017. "O governo vende imagem que temos retomada da economia em 2017 e isso não ocorreu, não ocorre e não vai ocorrer em 2017. Nos preocupa o discurso do governo sobre a retomada", disse ele a jornalistas nessa terça-feira.

No primeiro trimestre deste ano, a produção brasileira de aço bruto cresceu 10,9 por cento ante igual período de 2016, refletindo a contabilização das operações da Companhia Siderúrgica do Pecém, que iniciou operações em meados do ano passado. Houve ainda no período a reativação de alto-forno da CSN, afirmou o IABr.

O aumento da produção foi em boa parte escoada para o mercado externo, cujas vendas cresceram 17,4 por cento no primeiro trimestre, segundo a entidade. As importações no período, favorecidas pelo câmbio e por eventuais reposições de estoques avançaram 73,1 por cento ante um ano antes.

No mercado interno, as vendas de aço caíram 0,5 por cento, em razão do baixo nível da atividade econômica do país. "As coisas para economia não andaram e o presente não melhora", disse Lopes.

Entre as críticas feitas pelo IABr ao atual governo está a flexibilização de regras de conteúdo local em discussão em Brasília, que estão mais avançadas na área de óleo e gás. "Há medidas do governo na direção correta, como as reformas (trabalhista e da Previdência), mas tem que ter um olhar emergencial de curto prazo ... são 13 milhões de desempregados... Não conheço nenhum caminho para recuperação da economia que não passe pela indústria", afirmou o presidente do IABr.

Desde 2014, após um auge do setor em 2013, até 2016, a indústria siderúrgica nacional fechou 46.788 postos de trabalho e adiou investimentos de 3,2 bilhões de dólares, segundo o IABr.   Continuação...