26 de Abril de 2017 / às 23:44 / 5 meses atrás

Natura reverte prejuízo e tem lucro líquido de R$189 mi no 1º tri com efeitos não recorrentes

SÃO PAULO (Reuters) - A fabricante de cosméticos Natura (NATU3.SA) divulgou nesta quarta-feira lucro líquido consolidado de 189 milhões de reais para primeiro trimestre de 2017, influenciado por efeitos tributários não recorrentes e queda nas despesas financeiras, revertendo prejuízo de 69 milhões de reais um ano antes.

Os primeiros três meses do ano também foram marcados por alta de 2,3 por cento na receita líquida consolidada, para 1,7 bilhão de reais, com a receita nas operações no Brasil subindo 3,3 por cento e a das operações internacionais avançando 0,3 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior.

A receita bruta cresceu 4,4 por cento na operação do Brasil e 0,7 por cento na operação internacional. Na América Latina, os resultados foram afetados pelos efeitos cambiais, tendo apresentado crescimento de 23,3 por cento em moeda local, o que a Natura considera “saudável”.

O vice-presidente de finanças e relações com investidores da companhia, José Roberto Lettiere, disse que foi um trimestre bom, mas afirmou que a cautela segue para os próximos meses, diante de um mercado ainda bastante difícil no Brasil.

“A briga pelo bolso do consumidor tem sido muito disputada. Vemos com muita cautela os próximos meses”, afirmou em teleconferência com jornalistas após divulgação do resultado.

EFEITOS ESTRAORDINÁRIOS

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) consolidado subiu 68 por cento na mesma base de comparação, para 364,6 milhões de reais.

Excluindo efeitos não recorrentes, porém, teria sido de 209,8 milhões de reais, 3,3 por cento menor do que no primeiro trimestre de 2016, predominantemente pelos impactos tributários e maior investimento em marketing no Brasil.

A Natura detalhou que a variação decorre do impacto cambial no resultado da América Latina de 17,3 milhões de reais; intensificação nas ações de marketing, incentivos e capacitação da força de vendas; e aumento da carga tributária no Brasil com impacto de 12,2 milhões de reais.

As despesas com vendas, marketing e logística subiram 9,4 por cento no período.

No caso do lucro líquido, o resultado deveu-se a efeitos não recorrentes de 160,8 milhões de reais, além de menores despesas financeiras líquidas, excluindo os efeitos não recorrentes, que recuaram para 101,4 milhões no primeiro trimestre ante 217,8 milhões de reais um ano antes.

De acordo com a companhia, os resultados foram impactados por efeitos não recorrentes no Brasil, notadamente a reversão de provisão de PIS e Cofins a pagar (inclusão de ICMS na base do PIS e da Cofins) e a constituição de provisões para novas obrigações tributárias.

A geração de caixa no período foi de 16,5 milhões de reais, contra um consumo de caixa de 167,7 milhões de reais no primeiro trimestre de 2016, impulsionada pela redução da cobertura dos estoques no Brasil e América Latina, ampliação no prazo médio de pagamento e menor investimento em capital.

No primeiro trimestre, os investimentos (capex) somaram 33,9 milhões de reais, abaixo dos 47,9 milhões de reais um ano antes.

Para o analista do Santander Brasil João Mamede, a Natura divulgou números fracos, com performance operacional no Brasil ainda sob pressão. “A dinâmica segue difícil apesar da pequena melhora no Brasil”, disse em nota a clientes.

As ações da Natura fecharam em baixa de 1,39 por cento, a 31,19 reais.

LOJAS

A Natura encerrou o primeiro trimestre operando 10 lojas exclusivas da marca em shopping centers na cidade de São Paulo e Grande São Paulo e, segundo Lettiere, tem na programação a abertura de mais duas unidades nas próximas semanas.

De acordo com o executivo, a previsão é terminar o ano com aproximadamente 20 a 25 lojas físicas, embora não seja uma meta.

Ele também reiterou que a Natura está em um estágio muito inicial no processo envolvendo eventual transação relacionada a The Body Shop, da L‘Oreal (OREP.PA). “Não temos ainda nenhuma definição, é um processo que levará um tempo.”

Por Paula Arend Laier

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