ENTREVISTA-PetroRio vê entraves para produtoras independentes de petróleo no Brasil

sexta-feira, 28 de abril de 2017 08:18 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Enquanto busca expandir a sua atuação no Brasil por meio de aquisições, a petroleira brasileira PetroRio alerta que o país tem graves entraves para o desenvolvimento das pequenas e médias empresas de petróleo, que inclusive não se sentem atendidas pelas reformas regulatórias para o setor colocadas em curso pelo atual governo.

A companhia concluiu no mês passado a aquisição da Brasoil, que detém 10 por cento do campo de Manati, um dos mais importantes produtores de gás do Brasil, na Bacia de Camamu-Almada, e permanece com apetite para novas aquisições. No entanto, a empresa se sente prejudicada por uma falta de assistência regulatória e de incentivos.

"Muitas coisas que você vê na mídia em termos de pleitos de mudanças na legislação são muito para ajudar os grandes... Você não vê tantos pleitos regulatórios que fomentem o nicho das independentes", afirmou à Reuters o diretor financeiro da PetroRio, Blener Mayhew, na sede da empresa no Rio de Janeiro.

A PetroRio passou recentemente por uma completa reestruturação que incluiu mudanças de estratégia, venda de ativos e uma importante redução do quadro de funcionários de 600 em 2013 para 100 atualmente.

Segundo Mayhew, a empresa está com uma estrutura mais enxuta e eficiente, pronta para crescer, mas tem de enfrentar um ambiente desafiador no país, classificado pelo executivo como "hostil para negócios".

"Os dois anos que a indústria está mais sofrendo no mundo inteiro... e aqui não tem ajuda nenhuma", afirmou Mayhew, ressaltando que o Estado do Rio de Janeiro tentou aumentar a arrecadação cobrando mais das petroleiras, o que foi impedido por meio de ações da indústria na Justiça.

O executivo pontuou que as maiores complicações para as petroleiras independentes envolvem cobranças de royalties em patamares que, segundo ele, prejudicam a capacidade de investimento de longo prazo das empresas menores, e dificuldades para a obtenção de financiamentos com custos adequados.

No caso da cobrança de royalties, Mayhew sugeriu que o governo poderia optar por cobrar menos royalties de ativos que produzem pouco e exigir da empresa responsável pelo campo, como contrapartida, um investimento maior para a extensão da vida útil da produção.   Continuação...