Greve geral não deve afetar reformas e retomada da economia, dizem especialistas

sexta-feira, 28 de abril de 2017 17:00 BRT
 

Por Camila Moreira e Luiz Guilherme Gerbelli

SÃO PAULO (Reuters) - As greves e manifestações que ocorrem em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira não devem prejudicar a agenda de reformas do governo do presidente Michel Temer, sobretudo a da Previdência, que afetaria a recuperação econômica se não for aprovada.

Especialistas consultados pela Reuters reconhecem que as manifestações trazem incômodo para a gestão de Temer, mas nada que seja capaz alterar as forças no Congresso Nacional a ponto de barrar a agenda reformista, cuja aprovação continua sendo esperada para o segundo semestre e é considerada essencial para ajudar o país voltar a crescer de forma mais consistente.

"Não há sinais de que os protestos vão ganhar escala maior. Há certa limitação da capacidade de mobilização para algo que saia do controle a ponto de amedrontar o Congresso", afirmou o diretor para América Latina da consultoria Eurasia, João Augusto de Castro Neves.

"A aprovação (final) da reforma da Previdência deve ocorrer até setembro", acrescentou.

Manifestantes bloquearam importantes vias de diversas cidades do país, provocando alguns confrontos com a polícia, e trabalhadores de diferentes categorias decidiram aderir à greve geral convocada por movimentos sindicais em protesto contra as reformas da Previdência e trabalhista.

O Brasil viveu sua pior recessão nos últimos dois anos, ao mesmo tempo em que passou a registrar rombos históricos nas contas públicas. Temer e sua equipe econômica, a partir daí, adotaram o discurso que a reforma da Previdência era imprescindível para que o país voltasse a crescer, e começaram forte movimento de convencimento junto ao Legislativo.

Analistas projetam crescimento de apenas 0,43 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017, o que deve encerrar dois anos de recessão, acelerando a 2,50 por cento em 2018.

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Cartazes sobre a greve geral em Porto Alegre
28/4/2017 REUTERS/Diego Vara