Efeito Odebrecht atrapalha desenvolvimento da infraestrutura na América Latina, diz Moody's

quarta-feira, 3 de maio de 2017 16:38 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - As investigações de corrupção envolvendo o grupo Odebrecht S.A. estão atrasando o desenvolvimento de grandes projetos de energia e infraestrutura em toda a América Latina, criando efeitos negativos para governos, empresas e bancos, afirmou a agência de classificação de risco Moody's em relatório nesta quarta-feira.

"Várias concessões de infraestrutura foram interrompidas e precisarão ser relançadas como resultado do escândalo de corrupção da Odebrecht. Os obstáculos jurídicos e administrativos para esses projetos provavelmente levarão outros 12 a 24 meses", disse o vice-presidente da Moody's, Adrian Garza.

Um dos principais alvos da operação Lava Jato, a Odebrecht admitiu ter pago 788 milhões de dólares em propina a funcionários de governos em 11 países além do Brasil, incluindo 9 na América Latina.

Diversos contratos de concessão de grandes projetos, desde gasodutos até iniciativas de navegação fluvial, foram cancelados em vários países , incluindo Peru, Colômbia e Panamá. Uma investigação também foi aberta no México.

As repercussões foram sentidas em toda a economia, contribuindo para reduções recentes das previsões da Moody's para o crescimento de vários desses países.

As empresas que participam desses projetos estão enfrentando agora pressões de fluxo de caixa e os bancos, que emprestaram tanto às concessões como diretamente às empresas envolvidas, estão enfrentando maiores riscos de ativos, afirmou a Moody's.

Para a agência, os cancelamentos de projetos agravam desafios que os desenvolvedores de infraestrutura já enfrentam na região, como lento crescimento econômico, pressões fiscais que limitam o investimento público, e os riscos de taxa de juros e de moeda.

Por outro lado, a investigação levará a um impulso regional para fortalecer os procedimentos anticorrupção e, no longo prazo, os projetos de infraestrutura se beneficiarão de medidas em prol de maior transparência, conclui o relatório.

(Por Aluísio Alves)