Energia de usinas antigas poderia gerar bilhões em licitação, dizem comercializadores

quarta-feira, 10 de maio de 2017 16:38 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Uma ideia em estudo no governo de licitar a energia de hidrelétricas antigas, atualmente negociada a preços abaixo de mercado com as distribuidoras, pode atrair forte interesse de comercializadores e geradores e possibilitar uma arrecadação bilionária, disseram especialistas.

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, disse à Reuters na semana passada que a proposta consta de um pacote de medidas em estudo na pasta para rever a regulamentação do setor elétrico.

Essas hidrelétricas, a maioria delas da estatal Eletrobras, operam desde 2013 no chamado "regime de cotas", em que vendem a produção às distribuidoras por valores regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que cobrem apenas custos de operação e manutenção.

O sócio da comercializadora de energia Compass, Marcelo Parodi, disse que a negociação dessa energia a preços de mercado poderia gerar um excedente financeiro de 11,8 bilhões de reais por ano apenas entre 2018 e 2019.

No cálculo, ele considerou a venda de 9 gigawatts médios em energia a 200 reais por megawatt-hora, contra os cerca de 50 reais que essas usinas recebem atualmente. A venda a preço de custo, aliás, é um dos fatores por trás dos fortes prejuízos da Eletrobras entre o final de 2012 e 2016.

A arrecadação poderia acontecer de uma única vez, com a cobrança de um bônus de outorga pelo governo na licitação. Em troca, os vencedores teriam liberdade para negociar a energia a preços mais altos no mercado.

Outra opção seria o governo criar algum mecanismo para colocar essa energia no mercado e arrecadar os recursos gradualmente, de acordo com a realização das vendas.

"Você poderia fazer uma operação, por exemplo, em que a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) controlaria essa energia e colocaria via leilão no mercado... ou fazer isso como se fosse uma relicitação da usina, para algum empreendedor pegar e colocar essa energia no mercado", resume o presidente da comercializadora Comerc, Cristopher Vlavianos.   Continuação...