Desemprego frustra 1º tri e estabilização da economia vem só no 2º semestre, dizem analistas

sexta-feira, 12 de maio de 2017 18:15 BRT
 

Por Luiz Guilherme Gerbelli

SÃO PAULO (Reuters) - A expectativa de que a economia teria sinais mais consistentes de melhora no primeiro trimestre deste ano, depois de dois anos seguidos de forte recessão, foi frustrada, levando boa parte dos analistas a piorar seus cenários e enxergando que a estabilização deve vir de fato apenas no segundo semestre.

O principal entrave para recuperação é o crescente desemprego, que prejudica diretamente dois setores cruciais para o desempenho da economia: comércio e serviços. No trimestre passado, eram 14,2 milhões de pessoas sem emprego, número recorde no país, e a expectativa do próprio governo é que o fechamento de postos continue aumentando.

"Houve expectativa de estabilização na atividade neste primeiro semestre que não está acontecendo", afirmou o economista do banco Bradesco Igor Velecico, acrescentando que a falta de emprego e confiança trava o consumo.

Diante disso, o Bradesco passou a prever queda de 0,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre sobre os três meses anteriores, ante estimativa de estabilidade. Para o primeiro trimestre, na margem, manteve suas contas de expansão de 0,7 por cento, mas por conta da esperada supersafra, que impulsionou fortemente o agronegócio.

Nos últimos dias, indicadores deixaram claro o difícil quadro da economia brasileira. Só nesta semana foi divulgado que o setor de serviços recuou 2,3 por cento em março, maior queda mensal desde o início da série histórica em 2012, enquanto o varejo caiu 1,9 por cento, pior resultado mensal em 14 anos.

Já a produção industrial registrou o pior resultado para março da história, ao despencar 1,8 por cento. Em todos os casos, os números de fechamento do trimestre vieram piores que o esperado.

"Há um viés de baixa nas projeção para o segundo trimestre. O varejo pode até ter resultado melhor por causa da Páscoa que tem um efeito calendário, no ano passado, ela foi em março. E o setor de serviços ainda deve vir com um desempenho que não deve ser muito bom", afirma o economista da consultoria GO Associados Luiz Fernando Castelli, acrescentando que deve piorar sua previsão inicial de crescimento de 0,5 por cento do PIB no segundo trimestre, para estabilidade.

O banco Itaú Unibanco também se mostra mais cético, ainda estimando alta de 0,2 por cento no período, mas já vendo risco para esse número.   Continuação...

 
Pessoas em fila de agência de empregos em Brasília, no Brasil
08/03/2016
REUTERS/Ueslei Marcelino