ENFOQUE-Multiplicação de concorrentes pressiona grandes empresas de cartões no Brasil

terça-feira, 23 de maio de 2017 17:35 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O crescimento de rivais de menor porte está pressionando as grandes empresas de meios eletrônicos de pagamentos no Brasil, que estão diversificando a oferta de atrativos a lojistas para tentar marcar posição num mercado de margens decrescentes e que espera mais mudanças nas regras por parte do Banco Central.

No arsenal para conquistar, manter ou tomar clientes da concorrência, as chamadas adquirentes vêm lançando mão de subsídios cruzados, ofertando serviços de gestão e explorando nichos onde ainda prevalecem pagamentos com cheque e dinheiro.

O embate tem se dado de forma mais feroz no varejo de pequeno e médio portes, nos quais entrantes como iZettle, Global Payments e Stone têm se concentrado com ofertas competitivas em relação às oferecidas por Cielo, Rede, do Itaú Unibanco; e GetNet, do Santander Brasil.

Pelo menos outras duas estão chegando, como a Safra Credenciadora e Adiq, do Banco Bonsucesso.

Com estruturas mais enxutas e ágeis, facilitadas em parte por parcerias com bancos médios e estatais regionais, essas companhias vêm pelo menos dobrando de tamanho a cada ano, mesmo diante da prolongada recessão no país e uma impressionante mortalidade de pequenos negócios, ampliando a pressão sobre as rivais de maior porte.

"Precisamos ter algo mais do que processar pagamento", disse Daniel Bergman, presidente iZettle no país. Especializada em micro e pequenos empreendedores, a empresa de origem sueca oferta como diferencial o repasse aos lojistas dos valores das vendas em até 2 dias, ante os 30 dias regulamentares, com a contrapartida de taxas mais elevadas por operação (MDRs).

Como a iZettle, companhias mais novas no Brasil como a norte-americana Global Payments e a Stone têm centrado foco em micro, pequenos e médios negócios, público considerado como de maior potencial de crescimento nos próximos anos e que tem ficado em segundo plano para gigantes como Cielo e Rede.

Os próprios resultados mais recentes da Cielo revelam a transformação pela qual passa o setor. Desde 2009, quando o mercado crescia a um passo superior a 20 por cento ao ano e ela dividia um duopólio com a Rede (ex-Redecard), o mercado hoje tem cerca de 10 participantes no meio físico. Resultado: nos últimos quatro anos, a margem Ebitda da Cielo, líder do setor, caiu de cerca de 70 para ao redor de 45 por cento.   Continuação...