ENTREVISTA-CEO da Samarco vê dificuldades para operar ainda em 2017

terça-feira, 23 de maio de 2017 18:41 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A mineradora Samarco já considera desafiador retomar suas atividades de mineração ainda neste ano, diante da morosidade para obter licenciamentos ambientais, mas segue confiante do apoio de seus acionistas e de governos, apesar da crise política e da mudança na presidência da Vale.

O presidente da Samarco, Roberto Carvalho, afirmou à Reuters nesta terça-feira que há incertezas sobre o cumprimento da previsão de operar ainda neste ano, por considerar que os dois processos de licenciamento ambiental necessários para voltar às atividades estão demorando mais do que a empresa deseja.

"Está ficando muito apertado para o fim deste ano, mas se tudo correr bem daqui para frente ainda dá tempo, mas a gente não tem condições de garantir porque não depende da gente... cada dia que passa aperta mais um pouco", afirmou Carvalho, por telefone, após participar de audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Na audiência, o presidente apresentou seus esforços para voltar a operar e, segundo ele, foi amplamente apoiado por prefeitos e políticos que defendem as atividades da empresa, por gerar renda e emprego em um momento de dificuldades econômicas do Brasil.

A mineradora interrompeu suas atividades após o rompimento de uma de suas barragens em Mariana (MG), em novembro de 2015, que deixou 19 mortos, centenas de desabrigados e poluiu o rio Doce, que deságua no litoral do Espírito Santo. O evento foi considerado o maior desastre ambiental do Brasil.

A retomada da Samarco, uma joint venture da Vale com a anglo-australiana BHP Billiton,, é importante para que a empresa possa arcar com reparações cobradas após o incidente, que devem atingir valores bilionários.

Em sua primeira previsão, a empresa esperava voltar a operar no ano passado, com capacidade limitada de produção de cerca de 19 milhões de toneladas de pelotas de minério de ferro por ano, antes de adiar para este ano, diante das dificuldades com licenças ambientais.

Para retomar suas operações, a Samarco precisa de dois licenciamentos distintos, sendo um para o uso de uma cava de mineração exaurida para a deposição de rejeitos e outra para a volta das operações do complexo de Germano, em Mariana.   Continuação...

 
Sede da mineradora Samarco em Mariana, no Estado de Minas Gerais
11/11/2015
REUTERS/Ricardo Moraes/File Photo