Caixa Econômica eleva lucro em 82% no 1º tri, diz desconhecer erros com JBS

quarta-feira, 24 de maio de 2017 17:26 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A Caixa Econômica Federal teve forte alta no lucro do primeiro trimestre, apoiada em aumento de taxas de juros e de tarifas e na redução de despesas administrativas, mas deixou em aberto questões sobre o desempenho dos próximos trimestres, incluindo possíveis perdas ligadas o grupo J&F, dos irmãos Batista, controlador da JBS.

"O futuro a Deus pertence, não tenho bola de cristal", disse a jornalistas nesta quarta-feira o vice-presidente de finanças e controladoria do banco, Arno Meyer. Ele respondeu a perguntas sobre previsões de desempenho da Caixa nos próximos trimestres em itens como provisão para perdas com calotes, que nos três primeiros meses do ano teve alta de 35,8 por cento sobre um ano antes.

Maior financiador do setor imobiliário do país, a Caixa anunciou nesta quarta-feira que o lucro líquido do período somou 1,49 bilhão de reais, alta anual de 81,8 por cento. Em termos recorrentes, o lucro subiu 49,6 por cento, a 1,68 bilhão.

Na contramão da média do mercado, a Caixa viu a carteira de crédito crescer 4,5 por cento em 12 meses, para 715 bilhões de reais em março, impulsionada pelos empréstimos imobiliários, que mais que compensaram a queda no financiamento a empresas.

Além de receitas maiores com empréstimos, que turbinaram o lucro, o banco também teve queda de 2,5 por cento nas despesas de captação e aumento nas taxas cobradas de clientes, o que fez a margem financeira bruta crescer 9,3 por cento em 12 meses.

As receitas com tarifas cresceram 13,7 por cento contra o primeiro trimestre de 2016, para 6 bilhões de reais. Além do aumento do valor das taxas cobradas, o banco também se beneficiou de um salto de 17,3 por cento com serviços como cobrança, para 811 milhões de reais.

Assim, a Caixa conseguiu compensar a disparada de 35,8 por cento da despesa com provisões para perdas com calotes, que chegaram a 5,17 bilhões de reais.

Segundo Meyer, a evolução dessas provisões do banco dependerá da melhora ou piora da qualidade do crédito. No primeiro trimestre, o índice de inadimplência de operações vencidas há mais de 90 dias foi de 2,83 por cento ante 3,51 por cento um ano antes.   Continuação...

 
Logo da Caixa Econômica Federal no centro do Rio de Janeiro
20/08/2014
REUTERS/Pilar Olivares