Chuvas no Sul têm efeitos distintos sobre plantio de trigo do PR e RS

quinta-feira, 25 de maio de 2017 18:53 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - As chuvas na região Sul do Brasil estão tendo efeitos distintos sobre as safras de trigo do Paraná e Rio Grande do Sul, os dois maiores produtores do cereal do país, segundo relatos de órgãos técnicos dos Estados, que apontam um ritmo avançado no plantio em um Estado e atraso em outro.

No Paraná, maior Estado produtor de trigo, o plantio do cereal alcançou 65 por cento da área estimada para esta safra até 22 de maio, avançando em ritmo superior ao dos anos anteriores favorecido pelas chuvas em boa medida, disse o Departamento de Economia Rural (Deral) nesta quinta-feira.

O Paraná espera uma geada entre o fim desta semana e o início da próxima, mas não há riscos para as lavouras, uma vez que o trigo ainda está em desenvolvimento vegetativo. Dessa forma, a safra poderá até ser beneficiada pelo fenômeno climático, disse o coordenador de Estatística do Deral, Carlos Hugo Godinho.

"Ela pega num momento bom ainda, o trigo está todo em desenvolvimento vegetativo, então não deve ter problema com isso. O trigo nessa fase é bastante tolerante, pode até ser benéfico porque a planta pode ter mais vigor", disse Godinho.

A produção da safra 2016/17 foi estimada pelo Deral em 3,11 milhões de toneladas, volume 11 por cento menor do que o produzido na safra passada, puxado pela redução na área de plantio.

O Deral revisou para baixo sua estimativa para a área de plantio de trigo, para 992 mil hectares, área 10 por cento menor do que a plantada na safra passada. No último relatório, o órgão estimava área 8 por cento menor do que na safra passada.

Segundo Godinho, essa redução já era esperada de maneira geral e é apenas um ajuste, podendo ser revisada novamente no mês que vem. O técnico estima que, após a finalização do plantio, a área total ficará entre 10 e 15 por cento menor do que a da safra passada.

Produtores continuam receosos em razão dos baixos preços do trigo. Segundo Godinho, havia uma esperança de que a recente alta no dólar favorecesse os produtores brasileiros do cereal, mas o trigo não reagiu à movimentação do câmbio.

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Plantação de trigo em Santarém, no Brasil
20/04/2013
REUTERS/Nacho Doce/File Photo