Oferta de carne pode cair com escândalo de delação da JBS; beneficia concorrentes, diz Abrafrigo

quinta-feira, 25 de maio de 2017 19:48 BRT
 

Por Roberto Samora e Ana Mano

SÃO PAULO/CUIABÁ (Reuters) - Os desdobramentos do escândalo de corrupção envolvendo a delação da cúpula da JBS podem resultar em uma diminuição da oferta de carne no país, algo que beneficiaria rivais que estão de olho em um eventual vácuo da maior produtora e exportadora de carne bovina do Brasil no mercado, afirmou nesta quinta-feira a Abrafrigo, uma associação que representa médios e pequenos frigoríficos.

A JBS está com dificuldade maior para comprar boi de pecuaristas, que estão querendo negociar à vista com a empresa diante de uma aversão ao risco relacionado ao escândalo provocado pelas delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores da empresa.

Pouco antes do escândalo ter vindo à tona, a JBS havia anunciado mudança na sua política de compra de gado, adotando a prática de negociar apenas a prazo, em oposição ao que querem agora os fornecedores mais cautelosos, segundo afirmaram analistas à Reuters na quarta-feira.

"Na exportação, não tem como substituir a JBS em curto prazo. No mercado interno, onde é mais provável que a JBS perca mercado, sim. Há bastante capacidade ociosa no setor", disse à Reuters o presidente-executivo da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar.

Segundo ele, com os desdobramentos da delação dos controladores da JBS, "pode ocorrer diminuição da produção" e portanto haver "menor oferta de carne bovina nos mercados interno e externo".

Salazar afirmou ainda que os pecuaristas deveriam procurar outras empresas, os frigoríficos de pequeno e médio portes, principalmente aqueles produtores com dificuldades de fechar negócios com a JBS.

O diretor-técnico da consultoria IEG FNP, José Vicente Ferraz, afirmou que, numa situação de crise, a JBS trabalharia para preservar seus clientes no exterior, o que diminuiria qualquer impacto imediato na exportação --comentário em linha com o executivo da Abrafrigo.

"Acho que exportação trabalha com contratos, trabalha com canais de distribuição que não podem ser desabastecidos. Evidentemente que a JBS, até porque isso faz parte do patrimônio deles, vai proteger, para não deixar de cumprir seus contratos de exportação", disse Ferraz.   Continuação...