Ibovespa sobe com ajuste e de olho em política; troca de comando do BNDES entra no radar

sexta-feira, 26 de maio de 2017 18:04 BRT
 

Por Flavia Bohone

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da Bovespa fechou em alta nesta sexta-feira, em movimento de ajuste amparado nas apostas de investidores no andamento das reformas no Congresso Nacional, a despeito da crise que afeta o Planalto desde as denúncias contra o presidente Michel Temer.

Perto do fechamento, a alta do Ibovespa chegou a perder parte do fôlego, após a renúncia da presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Maria Silvia Bastos Marques, mas voltou a ganhar força nos ajustes.

Além disso, a agência de classificação de risco Moody's informou após o fim do pregão que mudou a perspectiva de rating do Brasil para "negativa" ante "estável" por causa da incerteza gerada pela crise política.

O Ibovespa subiu 1,36 por cento, a 64.085 pontos. Na semana, o índice acumulou alta de 2,3 por cento, devolvendo parte da perda de mais de 8 por cento registrada na semana passada. O volume financeiro somou 8,74 bilhões de reais.

Maria Silvia informou pessoalmente sua renúncia do cargo a Temer nesta sexta-feira, alegando motivos pessoais. Segundo operadores, sua saída levanta questões sobre como se dará o processo de sucessão em meio a um cenário político tumultuado, além de receios sobre eventuais novas baixas no governo.

O governo vem tentando passar a imagem de normalidade no Legislativo, apesar da forte crise no Planalto desde a semana passada, diante da divulgação de conversa entre Temer e um dos sócios da JBS. Essa perspectiva de manutenção da agenda de reformas vem guiando a recuperação no mercado acionário, mas analistas alertam que o grau de incerteza segue elevado.

"O recente escândalo político tem o potencial de tirar a recuperação do Brasil dos trilhos", disse o estrategista em mercados emergentes do banco de investimentos Julius Baer, Heinz Ruettimann, em nota a clientes.

A equipe do banco avalia que se a implementação das reformas for adiada, diluída ou interrompida, as expectativas dos investidores sobre a gestão Temer diminuiriam e ameaçariam o ciclo de flexibilização monetária. "Isso, no fim, seria negativo para o crescimento (da economia)", escreveu Ruettimann.   Continuação...